Olá pessoal, gostaria de postar um link de um prograga que passa todas a terças na TV Band. Este programa, chamado "A Liga", é um progama que pode gerar várias discuções, pois ele aborda temas do cotidiano em nossa sociedade tais como, violência nas ruas, tribos urbanas, homossexualidade, trabalho infantil, entre vários outro temas. É um programa bom para nos levar a refletir sobre a verdadeira face do cotidiano dos brasileiro, sejam "os batalhadores brasileiros", seja "a ralé". Gosto especialmente desse programa pois os temas que ele aborda, e de forma muito bem relatada, diga se de passagem, me leva a refletir sobre o que eu já venho estudando e estou desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre, que é a "invisibilidade da desigualdade brasileira", a forma de 'reprodução' de uma "ralé estrural", que no Brasil tende-se a ter a crença de que já se superou. O que não é verdade, basta ler algumas pesquisas em livros publicados por Jessé Souza para ter clareza disso.
Aí vai o link: www.band.com.br/aliga
Danilo C. da S. Santana
quarta-feira, 23 de março de 2011
A educação atual, um pensamento.
Pensando a partir das concepções de Gramsci, vieram vários estalos aos quais pude refletir acerca do que se esperar do ensino, e também, do que é proposto atualmente aos acadêmicos e alunos, sobretudo, aqueles que encontram no mundo educacional formalizado uma prática de expandir os conceitos acumulados em nossa história, isso vai desde uma efetivação plena do que seja realmente o processo desses pensamentos até sua capacidade influenciadora nos demais meios sociais. Reportando-me aqui a singularidade de Gramsci, ao delinear a dirigência de um intelectual ele o tem como princípio, uma incitação de superar o modo vida. Mais do que isso, passar da capacidade simplista de dominar uma técnica para um patamar mais complexo, o de atingir a sociedade política e corroborar a tendência transformadora do homem no que diz respeito às relações estabelecidas na historicidade humana, para simplificar, as dominações impostas. Então, isso faz pensar na experiência escolar como um formador tecnicista, ao passo que por essa mesma linha nos colocamos à frente da problemática que isso gera. E, creio eu, seja uma das preocupações norteadoras deste autor, o de conservar e o de ir além.
Nesse sentido, fazemos o uso dos estudos de variados pensadores para nos especializar nessa temática, que aliado a isso vai se formando o corpo de pensadores que analisa a conjuntura atual, problematizando o papel dos homens enquanto detentores do poder de superação de um momento degradado. Acredito, que com os conhecimentos obtidos em suas variadas estâncias vão dando aquilo que o próprio Gramsci almejara, de superar a defasagem vivencial ao qual fez parte, mais do que isso, ele também deixa um legado ao qual transferindo suas idéias a realidade atual, em especial a brasileira, vão se contrapondo a diferentes perspectivas educacionais hoje estabelecidas.
A começar, a dinâmica educacional nos afunila de tal modo que parecemos que estamos na era fordista. Ainda, são mostradas a nós possibilidades racionalizadas dos processos educacionais os mais variados possíveis que tendemos ficar a mercê da direção governamental para o continuo afunilamento. Também, são proferidas demasiadas possibilidades de mudança, mas que ao passo que tomamos mais conhecimento, desejamos apenas mudar as condições materiais, de preferência no âmbito individual. Claro, estamos coniventes a isso, uma vez que esse aparato rege a vida social. As práticas de solidariedade, ao que parece são reforços de um constante vazio, dado aos instrumentos de modificação do meio o mito do bem-estar humano. Logo, penso que idéia de que o homem vai fazendo história desconhecendo seus desdobramentos vai se fundindo ao caótico processo de vida. E que nos fim das contas a educação atual corrobora com esse dínamo material.
Parece que a idéia de Adorno ao declarar que a escola tem como prioridade esclarecer os indivíduos a não repetir o ato de Auschwitz (o que não se distancia muito de Gramsci) tomou uma nova roupagem, só que agora camuflada na adesão de bens materiais e na continua desqualificação do outro enquanto não portador dessa temática. Então, Auchwitz está internalizada em cada ser social em que a individualidade dita as regras.
Pensando então nessas abordagens, os dirigentes atuais carregam consigo um árduo trabalho de detonar essa “jaula de ferro” em que o homem vai se trancando, e também, vedando todos os lugares possíveis da circulação de um novo ar. Mais do que isso, os dirigentes terão de não somente obter o consentimento da sociedade civil, mas de “dinamitar” toda ideia contemporânea de que o homem necessita se resguardar do seu próximo, pois ali está o mal. E somado a isso, de que depende de sua criatura.
Que esse processo de emancipação se solidifique o mais rápido possível.
Dirigentes do mundo, uni-vos!!
Rômulo Andruschi
terça-feira, 22 de março de 2011
Indagações extensas em um curto espaço.
Estive lendo um livro do Luiz Antonio Cunha, chamado “Educação e desenvolvimento social no Brasil”, muito interessante por sinal, que me trouxe inúmeras novas reflexões sobre a educação brasileira.
No livro o autor começa nos trazendo a educação no pensamento liberal para pensarmos “a educação e a construção de uma sociedade aberta”. Depois de todo um blábláblá necessário para explicar melhor os princípios liberais, Cunha traz alguns autores que contribuíram para teorizar sobre o papel social da educação, e então me deparei com idéias de um cara que até então eu nunca havia ouvido sobre: Marques de Condorcet. À primeira leitura, é claro que eu me apaixonei pelas idéias dele que o Luiz Cunha citou, por exemplo: “a educação só é emancipadora e digna de um povo livre na medida em que dá às crianças os conhecimentos que lhes permitirão se bastar em todas as circunstâncias (materiais, políticas e morais)”; ou “a instrução desaparecerá com o despotismo de um homem sobre o outro, garantindo a liberdade”.
No decorrer do livro Cunha vai colocando várias questões a se refletir: como o estado lida/lidou com essa suposta “educação libertária”, e como essa fachada de igualdade acaba se tornando uma forma de dissimular os mecanismos de discriminação que a própria educação cria em torno de si, como as medidas de contenção são implementadas paulatinamente no sistema de ensino, etc etc e etc.
Me deu muito o que pensar, por isso achei legal compartilhar a leitura e os questionamentos. Mas acima de tudo isso, minhas maiores reflexões centraram-se em como enxergar o nosso atual sistema de ensino, uma vez que o autor escreveu este livro em torno de 72.
Estudando Gramsci e compreendendo melhor a idéia de escola unitária e de ensino voltado para emancipação do homem, senti a mesma euforia que tive com o pouco que li de Condorcet, mas de certa forma percebi que o a educação brasileira sempre deu a “impressão” de ser voltada para a construção do indivíduo como “sujeito de si”, para a diminuição das desigualdades e equalização das oportunidades... E infelizmente a sensação que tenho é que a escola brasileira nesta atual conjuntura política é uma escola de aparências: feita de tijolos pintados de idealismo, mas por dentro repleta de contradições e de ideologias gastas pelo tempo e pelo desânimo.
Espero sinceramente que seja somente uma sensação. Mas se não for, é bom de qualquer forma estarmos preparados para o que viermos a encontrar como professores de sociologia, e ler muuuito para compreendermos qual é a situação real da nossa educação.
Larissa Messias Moraes
sábado, 19 de março de 2011
Programa de Aprendizagem Comercial
Até ano passado eu fazia parte do Programa de Jovens Aprendizes do SENAC-GO e com isso tive oportunidade de vivenciar a proposta do Programa de Aprendizagem Comercial (http://www.senac.br/inclu-social/prg-aprendiz.html). A partir de Gramsci pude constatar o quanto esse programa é contraditório tanto em sua proposta quanto na sua efetivacão.
A ideia inicial é de inclusão, pois no século XIX o "aprendiz" era associado ao "menor abandonado". inclusão esta que só reforca, ainda hoje, a desigualdade: 1) o curso ao qual os jovenz aprendizes sao submetidos (por 1 ano) com certeza abdica do rigor tanto em questão de conteúdo como na avaliacão dos mesmos; 2) na grande maioria das empresas esse jovem aprendiz nao tem perspectiva em ascender na empresa, não é dado como "equivalente" a outro funcionário e, principalmente, não costuma exercer as funcões que lhe deveriam ser designadas.
A centralidade do programa é uma "Educacão em sentido amplo" que, na teoria, se aproxima muito da proposta de "escola unitária" de Gramsci, com essencia humanística muito mais do que capacitacão para o trabalho. Não posso negar que tal apresenta a "práxis"de Gramsci, pois nela a experiência prática prevalece sob a elaboracão teórica abstrata, na relacào SENAC - empresa. O problema é que aquele desenvolvimento da auto-estima, criatividade, cidadania, responsabilidade, ética, etc., estimulados pelo curso, não são necessariamente bem vindos na/ pela empresa. Nesta, o que importa é o trabalho pelo trabalho (a técnica enquanto técnica), e o pensamento individual (por vezes autoritário) prevalece sobre o coletivo. O jovem é importante para a empresa enquanto não implica prejuízos a ela!
A ideia do Programa élegal, mas quem sabe não dever-se-ia olhar mais para Gramsci e enxergar uma melhor apreensão do método!?
Kárita Segato
A ideia inicial é de inclusão, pois no século XIX o "aprendiz" era associado ao "menor abandonado". inclusão esta que só reforca, ainda hoje, a desigualdade: 1) o curso ao qual os jovenz aprendizes sao submetidos (por 1 ano) com certeza abdica do rigor tanto em questão de conteúdo como na avaliacão dos mesmos; 2) na grande maioria das empresas esse jovem aprendiz nao tem perspectiva em ascender na empresa, não é dado como "equivalente" a outro funcionário e, principalmente, não costuma exercer as funcões que lhe deveriam ser designadas.
A centralidade do programa é uma "Educacão em sentido amplo" que, na teoria, se aproxima muito da proposta de "escola unitária" de Gramsci, com essencia humanística muito mais do que capacitacão para o trabalho. Não posso negar que tal apresenta a "práxis"de Gramsci, pois nela a experiência prática prevalece sob a elaboracão teórica abstrata, na relacào SENAC - empresa. O problema é que aquele desenvolvimento da auto-estima, criatividade, cidadania, responsabilidade, ética, etc., estimulados pelo curso, não são necessariamente bem vindos na/ pela empresa. Nesta, o que importa é o trabalho pelo trabalho (a técnica enquanto técnica), e o pensamento individual (por vezes autoritário) prevalece sobre o coletivo. O jovem é importante para a empresa enquanto não implica prejuízos a ela!
A ideia do Programa élegal, mas quem sabe não dever-se-ia olhar mais para Gramsci e enxergar uma melhor apreensão do método!?
Kárita Segato
quinta-feira, 17 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Gramsci e o Projeto Escola Aberta
Pessoal, estava estudando o manual de um projeto no qual trabalho e percebi que existiam muitas confluências entre a perspectiva pedagógica que discutimos nas últimas aulas. No manual do projeto que versa da proposta pedagógica a ser seguida, pude identificar elementos que a meu ver vão ao encontro a "praxeologia" de Gramsci.
Para demonstrar o que chamei de confluência, citarei o texto do manual do projeto. "O ambiente escolar é visto como espaço privilegiado de convivência entre diferentes e de aprendizagem da ética da cooperação que se contrapõe a coerção. Apesar de ser o lócus formal prioritário da práxis educativa, a escola não é o único. Assim entendendo, o Programa amplia as experiências de aprendizagem ao trazer para a instituição os saberes e talentos que fluem na vida das comunidades, permeando-os com uma intencionalidade que os situa no processo reflexivo sobre os fins educativos"(Brasil, 2007).
Levando em consideração a definição de práxis feita por Gramsci, a passagem citada do texto orientador do projeto contém elementos que permitem esta confluência. Entendo que a proposta do projeto tem a intencionalidade de permitir o acesso a escola e todo o "conhecimento formal" que se localiza nela(escola) de forma diferente. Podendo nesse contato, os indivíduos relacionar diretamente o "conhecimento formal" com "saberes e talentos" adquiridos fora dos muros da Escola.
Assinar:
Postagens (Atom)
