sábado, 26 de março de 2011

Será a educacão uma arma da contracultura?

   Ao ler o artigo "A Contra-Cultura na crise de Civilizacão", de Miguel Urbano Rodrigues (http://www.odiario.info/?p=2002) tive o seguinte questionamento: será a educacão uma arma da contracultura?
   Diz: "A satanizacão do socialismo e a apologia do capitalismo como sistema supostamente democrático são ingredientes básicos do massacre mediático orientado para a formatacão do homem alienado, inofensivo para a engrenagem do poder".
   Se eu pensasse na educacão escolar enquanto uma relacão dialógica e que, portanto, consistisse em um movimento contraditório, mas também num movimento que abarcasse a totalidade dada (falo da superestrutura e infraestrutura), sim, a educacão poderia ser uma arma da contracultura. Contudo, se olhar para as teorias não críticas e crítico-reprodutivistas, ao meu ver, tudo isso é engessado.
   Por isso, talvez eu concorde com a opinião de Henry Bernard (1839): "os livros tiveram seu dia, as Igrejas tiveram seu dia. Hoje, um jornal pode mandar mais almas ao Céu ou ao Inferno do que todas as capelas de Nova York juntas".

Kárita Segato

sexta-feira, 25 de março de 2011

O Direito à Educação


"  A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho."(Cap.IV, art.53, Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA).Esse capítulo do estatuto e seus incisos, assemelha-se a ideia de escola unitária proposta por Gramsci. Uma escola que nos primeiros anos possa receber um conhecimento humanístico a todos, não somente um conhecimento técnico, e só então partir para um conhecimento específico. Junto a esse conhecimento específico o conhecimento político para que o aluno possa ter autonomia em suas decisões e opiniões e  participar do cenário político debatendo os problemas da sociedade.
  Praticamente não existem leis com a finalidade de incentivar o jovem a participar do contexto político. As leis  que são elaboradas, em sua maioria, não visam preparar os jovens estudantes para as questões políticas, as leis que existem são  para "proteger" a criança e o adolescente da "violência". 
  Ora, proteger os jovens estudantes da violência parece contraditório, pois a metodologia de ensino usada nas escolas elas própias são uma violência(simbólica). O modo de avaliação é um exemplo. O professor precisa estar mais bem preparado para perceber todas as nunces que envolve o contexto em que o aluno está enserido. Para isso é preciso que seja feita mudanças no currículo e na preparação dos professoras/es. 
  Por outro lado, se formos questionar os atores políticos o porquê da escassez de leis para crianças e adolescentes é quase certo de que responderão que o ECA abarca todas necessidades, isto é, todos os direitos que uma pessoa humana deve ter. No entanto, depois de mais de vinte anos da aprovação do estatuto as leis não são cumpridas. Para fazer cumprir o que está no estatuto a sociedade deve participar do debate, pressionar o Estado. Mas se a maioria das pessoas não sabem da existência desse estatuto não há como reivndicar. Aí entra em cena novamente Gramsci  com a ideia de igualdade política,com pessoas capazes de exercer na política sua práxis, que para isso devem estar bem informadas e críticas para reivindiacar os direitos e governar os governantes.

Sandra Regina Alves

Comentando comentários: Vamos dar aulas?


Após ler comentários e postagens da Maria, Larissa, Jouber, Rafael, Kárita, Michelle..quero compartilhar ideias.


É... o que fazer com o mundo lá fora? Essa é para mim uma pergunta constante desde que começamos a estudar e pesquisar sobre escola e sobre educação. Ao partir da concepção de que escola e mundo estão em uma relação de influência constante, são elaborados programas e currículos com propostas de "comunidade participe!” e “estudantes, estou partindo das experiências de vocês para dar minhas aulas", mas não foi exatamente isso que vivenciei nas escolas que estudei e não foi isso que vi quando comecei a visitar, pesquisar e interagir com escolas.

Acredito que o problema é mais em baixo, que a relação de influência nem existe, o mundo está na escola, exatamente ali na frente do corpo docente. Em cada estudante temos relações de subalternidade, violência, acessos, etc.. acredito que mais que “ transmitir conhecimento”, para que a escola e a aula funcione as vezes professoras e professores tem que resolver problemas do mundo, a escola precisa resolver. Precisa? 

Dar aulas de ciências sociais, e para quem vai dar aulas de química, física, português, etc, a matéria em si é o mínimo. Me parece que a escola está bem mais envolta a comunidade do que acreditamos que ela de fato esteja. Se sabemos disso o que fazer? Se o mundo lá fora interfere tanto na escola, no fracasso e nos sucessos, por quais razões a escola não pode interferir, mudar o mundo? 

A escola não mudaria o mundo por ser produto das subalternidades deste e por seu aspecto de ser usada como instrumento de reprodução, é um aparato estatal, que como tal existe mais para vigiar e punir que para ensinar?

É...mais as mesmas pessoas que disseram coisas assim sobre a escola, falaram / escreveram também sobre intelectuais que provocam mudanças, guerra de posição e formas distintas de poder e ação, uma sociedade que muda e não só reproduz. Mas acho que precisamos pensar sobre nossas ações, o que pretendemos com o que sabemos e o que vamos ensinar e incentivar com esse tal saber. Se a escola é o mundo, para resolver problemas escolares vamos precisar resolver problemas sociais.Vamos?
 Elis 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quino e a educação atual








Quero deixar uma tirinha de Quino que traz uma reflexão sobre os rumos e as realidades educacionais do mundo "moderno". É possível perceber a anomia do pai diante do teor educacional construído e a partir de critérios do mercado e por ele reproduzido.

Maria Fernandes Gomide

CLIPPING DA EDUCAÇÃO

Hoje recebi um email, com algumas notícias da educação, que gostaria de compartilhar com meus colegas.
A primeira da FOLHA DE SÃO PAULO - OPINIÃO

Quinta-feira, 24/03/2011
EDITORIAIS
Educados e desocupados
Vai contra o senso comum a notícia de que houve aumento relativo do desemprego entre trabalhadores com mais anos de estudo.
A constatação contraria uma das ideias-força da teoria do capital humano, segundo a qual a escolaridade seria um fator crucial para explicar o desenvolvimento econômico dos países e, no plano individual, uma garantia de emprego. A crença, ao que parece, foi atropelada pelos fatos.
Levantamento feito para esta Folha pelo Insper, um instituto de ensino e pesquisa em economia em São Paulo, revela que pessoas com 11 ou mais anos de estudo (ensino médio completo) representavam, em 2010, 60% do total de trabalhadores sem emprego. Em 2002, eram 39,4%.
O desemprego proporcionalmente maior dos trabalhadores com mais anos de estudo resulta, em parte, de um efeito estatístico. Houve também um aumento do contingente mais escolarizado na força de trabalho, na medida em que cada vez mais jovens chegam ao ensino médio e o concluem.
Além disso, com o crescimento da classe média, aumenta em paralelo a demanda por profissionais dos quais não se costuma exigir o ensino médio, como empregados domésticos e pedreiros.
Tudo indica que o fenômeno observado vai além disso, porém. Eis um caso em que a oferta não tem elasticidade para ajustar-se logo à demanda, pois alterações no sistema de ensino consomem décadas, gerações inteiras, para surtir efeito. Há ainda uma questão qualitativa: as empresas buscam contratar profissionais com escolaridade básica completa, decerto, mas dotados também de formação técnica.
A solução do problema passa pela formação de técnicos de nível médio e tecnólogos (graduados em faculdades). A carência desses profissionais é tão grande que há empresas investindo recursos próprios no treinamento de pessoas com tal perfil.
O governo da presidente Dilma Rousseff parece atento à questão. Seu Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec) projeta que o número de vagas nas escolas e faculdades técnicas federais seja mais que duplicado até 2012 (de 200 mil para 500 mil).
Não deixa de ser um número ambicioso, mas ainda assim aquém do que seria preciso para preencher a imensa lacuna. No Brasil, apenas 8,7% dos estudantes de nível médio têm formação técnica (Censo Escolar de 2009). Na China, são 42,6%, e, no Chile, 37,2%, de acordo com a Unesco (dados de 2008).
Outras notícia que particularmente achei muito interessante, veio do PORTAL DO MEC:
Quarta-feira, 23/03/2011
EDUCAÇÃO BÁSICA
Educação infantil, fundamental e profissional são prioridade, diz Haddad
Ministro fala das prioridades da educação na Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal.O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira, 23, que a educação infantil, o ensino fundamental e a educação profissional formam um tripé de ações, que tem o papel de alavancar o desempenho da educação no Brasil. A afirmação foi feita durante abertura dos trabalhos da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, em Brasília.
“O conjunto de ações nessas áreas compõe, hoje, a pauta prioritária do MEC”, destacou Haddad. Na educação infantil, o ministro refere-se ao Proinfância, programa de construção e reestruturação de creches e pré-escolas, que foi incluído na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2). Em relação ao ensino fundamental, os avanços são relativos ao piso nacional do magistério, de R$ 1.187 em valores atuais, e a recente liberação de bolsas de mestrado para professores da educação básica.
Sobre a educação profissional, Haddad citou o programa de concessão de bolsas para estudantes da educação profissional, o Pronatec, e informou que o projeto de Lei que institui o programa será enviado ao Congresso em breve. O ministro também lembrou de ações já em curso, como a expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica e o Brasil Profissionalizado. “Só para que os estados invistam em educação profissional, no âmbito do Brasil Profissionalizado, os recursos são de R$ 1,5 bilhões”.
Avanços – Ainda na Câmara, Haddad destacou os avanços da legislação brasileira no período de 2003 a 2010. Citou medidas como a extinção da Desvinculação dos Recursos da União (DRU) para a educação, o estabelecimento do ensino fundamental de nove anos e a criação do Fundo de Manutenção e Valorização da Educação Básica (Fundeb).
Para 2011, segundo Haddad, a principal meta referente à legislação é a aprovação pelo Congresso do projeto de Lei que institui o Plano Nacional de Educação (PNE), que vai vigorar de 2011 a 2020. Na terça-feira, 22, a Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para facilitar a tramitação do projeto.
LADY TATIANE S. MIRANDA

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tentar pensar a educação a partir de uma abordagem mais ampla desse conceito bem como via análise de contextos mais concretos e específicos como o de nossa realidade educacional brasileira (seja na escola formalizada, seja nos movimentos não-formais) me parece ser um ato de coragem. Coragem porque nos atenta para uma realidade tensa que encanta e frustra ao mesmo tempo. A enfrentaremos como professores em primeiro lugar (uma categoria marcada pelas conseqüências de nossa formação sócio-histórica ) . Seremos, se conseguirmos, antes de tudo trabalhadores de uma sociedade classista e de privilégios e, por isso, seremos marginalizados pelo poder público, pela sociedade, pelo mercado, pelos núcleos familiares.
 Isso me faz voltar com certo tom de idealismo ou esperança (ingênua que seja) aos pensadores que até aqui tive contato (que não foram muitos). Quando penso em Marx, com sua idéia de ser genérico,  é possível dizer que a educação não aliada aos valores da propriedade privada, que aliena o trabalho daquele que o produz,  traz um poder de resgate do caráter integral do homem.  A educação assim pensada devolveria a capacidade humana de uso de seus sentidos de forma total. Com isso, todo homem, toda mulher, saberia refletir sobre sua realidade e também produzir suas necessidades se livrando da escravidão do capital. Ela devolveria suas partes mutiladas pelos valores  mercantilizados. Também os libertários, Bakunin, Kropotkin , Gramsci, Paulo Freire, cada um de sua maneira traz uma idéia do que significaria viver a educação como libertação e formação de pensantes que agem...Mas também não há como deixar de lado os personagens do cotidiano, os formadores de opinião que estão na música, nos filmes, na televisão, no rádio. Educação pensada para todos (sem a prepotência de que a igualdade de acesso destrua as diferenças anteriormente fixadas a partir das diferenças de classes como diria Bourdieu) também é pensá-la junto ao povo, para o povo.
Ainda como professores, mas também como cientistas sociais estaremos diante de outro desafio, de desvelar as relações de poder, de tentarmos  “formar”(parece um termo petulante...) seres conscientes e com isso nos moldarmos enquanto educadores pra quem sabe construirmos uma realidade menos “patológica”.  Estamos nos formando como seres sociais que derivam da sociedade atual tão vaidosa com seus princípios de proteção individual. Vivemos angústias, somos mães, pais, filhos e filhas, irmãos, estudantes, trabalhadores, sei lá... Somos inclusive seres sociais, como suas diferentes histórias de vida.  Mas fazemos parte de um coletivo que pode sim ser transformador.
Não significa (a esperança) ignorar as diferenças que se solidificam nas relações sociais. Se reproduzem nas escolas, nos discursos políticos, acadêmicos, midiáticos. Acreditar na educação não significa colocá-la sobre um altar, mas compreendê-la como instrumento de formação humana e de intervenção social. Dái a responsabilidade do que se dispõe ao ofício do professor.
Maria Fernandes Gomide

Gramsci, tão atual quanto o nosso blog

Apreciei muito a leitura de Gramsci, para mim é mais um grande pensador e alguém que estava além da época em que viveu; e apesar de estar em condições precárias enquanto escrevia, ele tinha pensamento e visão do que é viver coletivamente e em sociedade. Suas idéias e pensamentos são muito atuais e podem ser aplicados tanto no presente quanto no futuro. É uma pena que muitos apenas o critiquem, pois o veem como mais um comunista louco.
Pelo fato de ter experimentado na minha infância  uma educação humanista, e no ensino médio ter optado pelo ensino técnico,posso entender muito bem a clivagem a que Gramsci se refere, pois ao terminar o ensino médio não me sentia apta para prestar o vestibular,  por isso ingressei no campo do trabalho com a formação técnica. Só que com o passar do tempo percebi que precisava de mais formação para continuar me atualizando, além de poder crescer e oferecer mais na minha área de atuação, por isso  estou aqui buscando mais conhecimento e preparo.
Durante quinze anos trabalhei como professora no ensino funamental e realmente a escola unitária proposta por Gramsci faria muita diferença na vida das pessoas. A formação que esta escola se propõe a dar aos seus alunos seria de grande valia para todas as áreas da vida de cada um, bem como a vida social como um todo.



 Sandra Rancan