Muitas pessoas acreditam que no Brasil existe somente uma língua, no entanto nossa nação é bilíngue desde de 2002 que a lei 10.436 entrou em vigor, reconhecendo a libras como língua nativa( não estrangeira). O progresso desta conquista veio ocorrendo de forma lenta, mas após nove anos do reconhecimento da língua formaram-se as primeiras turmas, na UFSC, sendo que existe outros nove polos que ministram o curso na graduação.
Thaís Santos
terça-feira, 12 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mídia: Um pretenso aliado que está em mãos erradas.
Também, uma tentativa de continuidade aos posts anteriores.
De fato há um problema social intrínseco nesse episódio ocorrido na escola Tasso da Silveira no RJ. Alias, não só nesse, mas em demasiados outros noticiários de massa. Sabemos ainda, o problema não está na notícia divulgada, e sim na sua distorção. No incrível poder de manipulação desses meios midiáticos em nossas vidas. Sem contar no enorme poder que os meios de comunicação vêm acumulando, que atualmente essa mesma mídia acaba sendo o quarto poder do Estado, e mais do que isso, nesse poder a ascendência de um sistema básico de dominação ou de afunilamento do que seja “importante” para todos é antemão encoberto. Fico impressionado com essa sistematização da informação em nossas vidas. E, além disso, da singela teoria do caos que isso desemboca.
Fiquei analisando, Montesquieu poderia ser nosso contemporâneo para incluir em sua fantástica obra “Espíritos das Leis” esse poder que se dá de maneira calculista, nos moldes do homem racionalizado “moderno”. Esse poder midiático entraria como articulador dos outros poderes estatais. Ademais, não sendo assim feito, dito, o poder da mídia bem como seu aparato ganham uma idéia de unidade ao se propagarem pelos televisores atentos dos cidadãos “modernos”. Acredito mais ainda, que seja até mesmo o ideal ter na propaganda, nas informações prestadas as massas esse ar de que estão acompanhando os fatos de maneira incisiva e perspicaz. Contudo, sem deixar de lado sua função estacionária para com o povo, e de efetiva corroboração de que ela seja um poder disfarçado. No mais, acredito que as coisas estão se dando dessa forma a todo vapor, em pleno espetáculo (como colocara Danilo no Post precedente) Espetáculo tal como é abordado por Debord¹, esse que torna as pessoas em seres passíveis de um consumo imagético e informacional aos quais nessa mesma linha, a sociedade que adere essa concepção tange a uma pobreza e uma fragmentação da vida real.
Pensei também, a ameaça maior que esses meios vão alastrando nas vidas das pessoas que ligam a T.V. e se deparam com a notícia: “Bullying pode ter motivado o massacre da escola do Rio de janeiro” (como colocado pela Kárita no Post anterior) pode causar tremendos distúrbios, aos quais os mesmos são derivações de algo mais amplo. Não quero negar toda a história que o individuo carrega consigo, fazendo disso um ser padronizado ou não. A grande sacada está justamente aí, será mesmo que um passado num tom individualizante ganha forças além do imaginado fora de seu contexto social? Prefiro pensar num fato social total², que inclua também seus pormenores. Antes de se chegar a um veredicto psicológico e totalizante.
Acredito, com isso estou caminhado no mesmo esquema de raciocínio dos colegas. Tentar abordar um tema em suas variadas instâncias, não engessar problemas da vida social em teorias que quase se tornam jargões das pessoas que encontram nesse espetáculo a sua vida real. E mais, como é interessante pensarmos nessa questão do poder da mídia atualmente como uma reprodução da diferenças caracterizadas em nossas vidas. Tentar pensar aqui como Bourdieu pensou o sistema educacional. Só que agora ilustrada e fantasiada em nossas caixas mágicas, sem falar na forma descarada de nos impor essa violência que chega ultrapassar o meio simbólico. Um salve para arbitrariedade midiática, sobretudo a imagética. Viva a sociedade do espetáculo.
Vou seguir e também finalizar como uma citação de Guy Debord. Primeiramente por abordar a questão da comunicação de massa, a outra, por estar em concomitância à idéia de Bourdieu em “A reprodução”. Segue aí:
O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e no seu corolário – o consumo. A forma e o conteúdo do espetáculo são a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação principal do tempo vivido fora da produção moderna.
¹ Guy Debord, autor da obra “A sociedade do espetáculo”. Originalmente lançado em 1967, França.
² Categoria teórico-analítica empregada por Mauss em sua obra “Ensaio sobre a Dádiva: forma e razão da troca nas sociedades arcaicas”. Usada aqui para tentar abarcar a real necessidade das informações prestadas a sociedade. No intuito de não se fechar aos fenômenos particularizantes, mas encontrar numa totalidade (Escola Durkheimiana) os sentidos de todas as ordens.
Rômulo Andruschi
sábado, 9 de abril de 2011
Ainda sobre a tragédia na escola pública do Rio de Janeiro: BULLYING
"Bullying pode ter motivado o massacre em escola do Rio de Janeiro".
Dentre as várias explicacões que a mídia lancou para o massacre, o bullying aparece como uma das principais. Afirmou-se que Wellington Menezes sofria bullying, por ser manco de uma perna, nos anos em que estudou na escola Tasso da Silveira, local do massacre.
O bullynig costuma ser mais comum em escolas, apesar de ser um problema ocorrente em praticamente qualquer contexto, no qual as pessoas interajam e onde exista uma relacão desigual de forcas ou poder. Suas consequencias são principalmente, mas não exclusivamente, individuais , pois auqele que o sofre pode ter desde queda da auto-estima até, em casos mais extremos como o do RJ, o suicídio e outras tragédias.
Só que olhar o bullying apenas como um problema individual e que, portanto, merece encaminhamento psicológico, levando-nos, como colocou o Danilo em sua postagem, a interpretar acões isoladas da sociedade, "psicologisando" os fatos, não nos leva a lugar algum e muito menos constitui explicacão ponderante a fatos como o do RJ.
A questão é muito mais social e diz respeito a todos nós. "Individualizar" o bullying ou mesmo utilizá-lo em representacão da questão da violência na escola é esvaziar uma discussão que está em pauta nas escolas, sobretudo, públicas, e não somente na escola Tasso da Silveira.
Kárita Segato
Dentre as várias explicacões que a mídia lancou para o massacre, o bullying aparece como uma das principais. Afirmou-se que Wellington Menezes sofria bullying, por ser manco de uma perna, nos anos em que estudou na escola Tasso da Silveira, local do massacre.
O bullynig costuma ser mais comum em escolas, apesar de ser um problema ocorrente em praticamente qualquer contexto, no qual as pessoas interajam e onde exista uma relacão desigual de forcas ou poder. Suas consequencias são principalmente, mas não exclusivamente, individuais , pois auqele que o sofre pode ter desde queda da auto-estima até, em casos mais extremos como o do RJ, o suicídio e outras tragédias.
Só que olhar o bullying apenas como um problema individual e que, portanto, merece encaminhamento psicológico, levando-nos, como colocou o Danilo em sua postagem, a interpretar acões isoladas da sociedade, "psicologisando" os fatos, não nos leva a lugar algum e muito menos constitui explicacão ponderante a fatos como o do RJ.
A questão é muito mais social e diz respeito a todos nós. "Individualizar" o bullying ou mesmo utilizá-lo em representacão da questão da violência na escola é esvaziar uma discussão que está em pauta nas escolas, sobretudo, públicas, e não somente na escola Tasso da Silveira.
Kárita Segato
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Horror e espetáculo: as tristezas e a realidade do mundo moderno
Ontem, dia 7 de abril de 2011, o Brasil todo acompanhou perplexo a tragédia que aconteceu em uma escola pública no Rio de Janeiro. Este ocorrido virou motivo de descução em todas emissoras de TV do país, das quais buscavam respostas para um fato que acabara de acontecer. Esta tragédia transformada em "espetáculo", para uma "sociedade do espetáculo", me deixa muito intrigado, pois o que as os canais de TV tentam fazer e que muitos, perplexo, interpretam como o que realmente aconteceu, é encobrir uma realidade do nosso país da qual vem sendo construída desde o adentramento deste em um processo de modernização tardia.
Nosso país está passando por um processo do qual a modernização veio na forma de "artefatos prontos", ou seja, quando chegou aqui o advento da modernidade, não houve, tal qual em países como Estados Unidos e outros, um processo de adaptação de sua sociedade para adentrar na modernidade. No Brasil quando a modernidade se deu cerca de 90% de sua população não tinha acesso à educação, saúde e soutro bens não materiais, e materiais básicos para se manterem. Isso gerou uma especificidade em nossa população, do qual estes indivíduos desprovídos do básico para viver nesse nova sociedade (moderna), necessitaria para sobreviver. Assim essa população foi deixada à periferia da sociedade, de forma que criou se uma "ralé estrutural" no nosso país e com isso culpa-se essa ralé por não se adequarem à nova forma de sociedade que o país vem se transformando.
Essa breve introdução, bem simplificada, da "especificidade da sociedade brasileira", é apenas para dizer que quando acontecentecem tragédias como essas no nosso país tende se sempre a culpar o indivíduo por estas, mas o que muitos não fazem, inclusive intelectuais, é ver que quem cometem atrocidades e que causa perplexidade em todos nós, vive na mesma sociedade que a nossa, e que essa nova sociedade moderna ao surgir no nosso cotidiano não se atentou para os grandes problemas que sociedades modernas já vinham passando. Assim temos que começar a refletir sobro nossa vida em sociedade e ver que quando acontece um fato como este de ontém, que culpar o indivíduo e tentar interpretar sua ação isolada da sociedade não nos leva a resposta alguma, "psicologeisar" fatos como estes não nos dão respostas, as respostas estão no nosso cotidiano, ou seja, no tipo de sociedade em que estamos nos transformando.
Nosso país está passando por um processo do qual a modernização veio na forma de "artefatos prontos", ou seja, quando chegou aqui o advento da modernidade, não houve, tal qual em países como Estados Unidos e outros, um processo de adaptação de sua sociedade para adentrar na modernidade. No Brasil quando a modernidade se deu cerca de 90% de sua população não tinha acesso à educação, saúde e soutro bens não materiais, e materiais básicos para se manterem. Isso gerou uma especificidade em nossa população, do qual estes indivíduos desprovídos do básico para viver nesse nova sociedade (moderna), necessitaria para sobreviver. Assim essa população foi deixada à periferia da sociedade, de forma que criou se uma "ralé estrutural" no nosso país e com isso culpa-se essa ralé por não se adequarem à nova forma de sociedade que o país vem se transformando.
Essa breve introdução, bem simplificada, da "especificidade da sociedade brasileira", é apenas para dizer que quando acontecentecem tragédias como essas no nosso país tende se sempre a culpar o indivíduo por estas, mas o que muitos não fazem, inclusive intelectuais, é ver que quem cometem atrocidades e que causa perplexidade em todos nós, vive na mesma sociedade que a nossa, e que essa nova sociedade moderna ao surgir no nosso cotidiano não se atentou para os grandes problemas que sociedades modernas já vinham passando. Assim temos que começar a refletir sobro nossa vida em sociedade e ver que quando acontece um fato como este de ontém, que culpar o indivíduo e tentar interpretar sua ação isolada da sociedade não nos leva a resposta alguma, "psicologeisar" fatos como estes não nos dão respostas, as respostas estão no nosso cotidiano, ou seja, no tipo de sociedade em que estamos nos transformando.
Danilo C. da S. Santana
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Televisão de cachorro
Televisão de cachorro
(Música Pato Fu)
Às vezes penso que eu assisto tv
Como o cãozinho que olha o frango rodar
Que mais e mais saboroso de se ver
Aguça cada vez mais meu paladar
E quando uma gotinha de óleo cai
Como uma novidade que entra no ar
Eu paro tudo, eu paro de pensar
Só pra ficar te olhando, televisão
Por que o que está lá dentro
É tudo o que eu quero ter?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que não posso ser?
Eu perco horas babando sem saber
Que se o galã morreu não foi por mim
E quando outros cãezinhos vem me imitar
São telespectadores no mesmo canal
E meu cachorro nada vê na tv
E é aí que eu vejo o burro que o bicho é
A tela plana não deixa ele perceber
A propaganda bacana de frango
Às vezes penso que eu assisto tv
Como o cãozinho que olha o frango rodar
Que mais e mais saboroso de se ver
Aguça cada vez mais meu paladar
Por que o que está lá dentro
É tudo o que eu quero ter?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que não posso ser?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que eu quero ter?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que não posso ser?
So uma curiosidade, acho que essa música representa como somos, e o que o capitalismo faz conosco... queremos ter muitas coisas, queremos ser muitas coisas e ficamos cada dia fantasiando...como o cãozinho que olha o frango rodar, assim é a televisão pra nos enganar...
Sara Liz G. Cararo
Como o cãozinho que olha o frango rodar
Que mais e mais saboroso de se ver
Aguça cada vez mais meu paladar
E quando uma gotinha de óleo cai
Como uma novidade que entra no ar
Eu paro tudo, eu paro de pensar
Só pra ficar te olhando, televisão
Por que o que está lá dentro
É tudo o que eu quero ter?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que não posso ser?
Eu perco horas babando sem saber
Que se o galã morreu não foi por mim
E quando outros cãezinhos vem me imitar
São telespectadores no mesmo canal
E meu cachorro nada vê na tv
E é aí que eu vejo o burro que o bicho é
A tela plana não deixa ele perceber
A propaganda bacana de frango
Às vezes penso que eu assisto tv
Como o cãozinho que olha o frango rodar
Que mais e mais saboroso de se ver
Aguça cada vez mais meu paladar
Por que o que está lá dentro
É tudo o que eu quero ter?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que não posso ser?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que eu quero ter?
Por que o que está lá dentro
É tudo o que não posso ser?
So uma curiosidade, acho que essa música representa como somos, e o que o capitalismo faz conosco... queremos ter muitas coisas, queremos ser muitas coisas e ficamos cada dia fantasiando...como o cãozinho que olha o frango rodar, assim é a televisão pra nos enganar
Sara Liz G. Cararo
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Comentando Comentários II _ escolas pra quê mesmo?
"Nas escolas, nas ruas, campos e construções" ouço um sussurro sobre um ensino de qualidade que nos fará políticos, que nos fará participativos, criará um mundo menos desigual, trará mais oportunidades na vida.. esses discursos vindos de distintas bocas tem em comum a defesa de uma "educação" diferente. Educação e ensino que vem da família, das igrejas, das ruas, das escolas, da televisão ... de uma infinidade de pessoas e lugares, e em todas elas a reprodução e produção de maneiras de viver, de ver o mundo, antes de serem questionadas são mostradas e impostas como possibilidades únicas.
Possibilidades que refletem vivências de um grupo específico. Não dá para falar de ensino sem falar de desigualdade, de imposição. Na própria noção de repassar conhecimento existem desigualdades, existem várias possibilidades de repassar conhecimento mas a única oficial - institucional - é a escola.
As hierarquizações subalternizantes vem tão antes da tal emancipação humana que a "escola" pode trazer, com suas melhorias de vida, possibilidades de maior participação política, que as vezes fica até difícil achar que a escola trará de fato algum dia emancipação para alguém. Mas pode ser que emancipe... as instituições se transformam, hoje mulheres, populações negras, populações indígenas fazem interferências pontuais nas instituições de ensino, nas mesmas instituições que foram impostas e que tinham a função maior de ensinar a essas pessoas o quanto elas eram menos isso e menos aquilo. Essas instituições - a escola - eram assim ou ainda são?
Para pensar essas questões quero compartilhar com vocês um texto importante para nossa formação. É um texto em português de um autor indígena, Dainel Munduruku, que traz entre outras reflexões questionamentos sobre as maneiras de repassar conhecimento, um texto reflexivo sobre resistência; usar as armas da subalternização contra quem subalterniza.
Elismênnia
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Jornalismo! Isso existe em Goiás??
Em Goiás temos algumas emissoras de TV que se dizem sérias, suas matérias superficiais, com pautas que não trazem nenhuma informação que já não esteja condicionada por interesses governistas ou de reprodução de um sistema excludente.
O que mais me intriga, é simplesmente o fato de que às notícias vinculadas em cada programa não contemplam as necessidades de informação, mas condicionam os que passam tempo "na frente" da TV que tomam muitas informações como verdade e elegem uma classe de indivíduos como intelectuais de nosso estado. Vemos todos os dias reportagens toscas que atendem um público que se coloca enquanto consumidor desse lixo, classes médias e classes menos abastadas socialmente.
Em duas destas emissoras, existem programas com enfoque policial, estes programas tem apresentadores com uma formação minimamente duvidosa, com posicionamentos, preconceituosos, racistas, classistas, machistas e etc. Não conseguem perceber o todo social e como os indivíduos se colocam neste universo.
Fazem uma defesa escancarada da classe que controla as forças produtivas( empresas, agro-business, setor de serviços ,enfim...) e a uma ordem social que é excludente. Sua "admiração" pela instituição que ao meu ver é a mais problemática dentre as demais que compõe o Estado, a polícia.
A polícia e sua forma reacionária, racista e classista, fere os direitos humanos o direito a vida e o bem estar social. Vemos uma instituição que se filia a uma elite, agindo como um braço armado e, no mais das vezes é louvada pela imprensa goiana.
Vejo que estamos a mercê da polícia e da imprensa, que só se posiciona quando a violência policial ronda os seus portões de entrada.
Rafael Barros
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