sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Individualização dos problemas sociais

O que atualmente aparece na mídia? Sempre a mesma tragédia gerada pelo sistema! A ação demonstrada pela mídia atua como agente de inquietância, estimula a discussão dos indivíduos e promove o debate, atingindo quase todas as classes. Outro importante fato, está atribuído a capacidade demonstrada pela mídia, em sistematizar problemas sociais como um mero problema particular. A tragédia ocorrido na Escola Tasso da Silveira, um fato incomum para a sociedade brasileira. Infelizmente essa mesma sociedade não sabe reconhecer, que ela é a maternidade desses problemas todos. Espantamos, porém sempre nos achamos distantes dessas questões, que não ocorrerão no nosso meio.
O jovem Wellinton Menezes, no qual é bem capaz de poucos saberem o nome, já que ele sempre é referido como o "atirador da escola do Rio de Janeiro" ou qualquer coisa próxima disso, era refém de um tipo de violência, gerado pela própria sociedade, o bullying. Na mídia se encontra todos os tipos de explicação biologizante a respeito do ocorrido. Problemas psicológicos e mentais, estão atribuídos ao jovem, mesmo que isso seja verdadeiro, a estimulação desses traumas, doenças, etc. se dá na sociedade, porém é muito mais fácil individualizar o problema, outorgando ao jovem rapaz, esquecemos o que este jovem passou, a partir do momento que sabemos dos seus atos naquela escola. A sociedade o rebaixava, humilhava, violentava... mais no final das contas a culpa é dele? No final isso é muito fácil para o sistema, as pessoas esquecerão e voltarão a produzir normalmente.
Infelizmente esse é o mundo do individualismo, enquanto não nos atingimos, vivemos sem problemas, porém quando chega à nossa responsabilidade, nos desorientamos e queremos achar o único culpado. Não estou em defesa desse rapaz e sim contra o controle hegemônico dos meios de comunicação populares e do individualismo presente na nossa sociedade.


João Augusto S. Ferreira

Sobre escolas, metodologias, dar aulas e bullying


Segue um texto que quero compartilhar: Quem o machismo matou hoje? Feminicídio: o nome do crime


Sabe o que tem na escola? Um jeito sentar, a disciplina é importante diria Gramsci, um jeito de aprender a ler; leia em silêncio, me disseram minhas professoras do ensino fundamental. Um jeito de pensar : a ciência é o conhecimento iluminador. Um jeito de viver; a modernidade é o futuro de todas as sociedades; me disseram meus livros de história.

Só não me lembro de ter discutido em sala os problemas que tínhamos entre nós. As brigas e os comportamentos incorretos eram punidos com suspensão em silêncios velados, todas as pessoas da escoa sabiam do ocorrido, até inventavam um pouco mais, mas nunca existiu algo em torno de “vamos discutir esses problemas que acontecem entre vocês”.

Nunca assisti uma punição que interferisse nas agressões em público, ali no exato momento em que aconteceram. A sala da coordenação era o único lugar para conversas. As agressões simbólicas entre alunas e alunos eram constantes, as piadas são um exemplo, e nos meus 11 anos de escola nunca ninguém problematizou com as pessoas envolvidas as ações delas; ao máximo deveríamos não fazer, mesmo não sabendo as razões para não fazer. Nunca passei por discussões sobre sexualidade, raça, etnia, desigualdade econômica, embora ouvisse o tempo todo questões sobre: viadinhos, mulheres-macho, piranhas, putas, neguinhas, pretos, e pobres.

Longe de querer fazer uma auto biografia quando falo das minhas experiências em escolas públicas me uso como estudo de caso, para pensar sobre educação escolar. E dessa vez quero problematizar currículos; existem disciplinas específicas para realizar questionamentos sobre raça, classe, gênero, piadinhas? A inserção das ciências sociais vai fazer isso, na materialização da sociologia no ensino médio? Estamos preparadas/os?

Mesmo se a princípio eu acreditasse no poder das ciências sociais, uma aula por semana durante dois anos vai mudar 9 anos em que nenhuma discussão sobre esses temas era realizada? Vai mudar as atitudes de docentes que não dão aulas de ciências sociais? Vai mudar as nossas atitudes? Para encerrar um texto longo demais, com reflexões para vida toda, eu queria dizer sobre; bullying, fanatismo religioso, esquizofrenia, 10 meninas e 2 meninos mortos no Rio de Janeiro, e sobre o atirador que se matou, que as aulas são ministradas para pessoas, para meninas e meninos com um raça, uma etnia, uma situação econômica. Queria dizer que esses fatores são essenciais em qualquer momento e em qualquer lugar em uma escola.

E sobre nosso preparo para lidar, mais que com os conteúdos sociológicos, com as pessoas que estarão na nossa frente; Eu quero também apresentar a vocês um conceito: FEMINICÍDIO, violência e agressão contra mulheres, exatamente por isso, são mulheres. Quero apresentar esse conceito para que tentemos fazer uma separação consciente entre alunas e alunos, para não acharmos que a humanidade se reduz em “o homem”, para nos atentarmos para as diferentes formas de violênica contra meninas e meninos.

Bem lembrado Danilo, bullying não é um problema de um só não, é um problema de muitos, nas causas e nos efeitos. Por mais que tenhamos heróis a nos salvar, melhor seria se eles não tivessem que existir.

Elismênnia

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Educação Prisional : um ramo das ciências ocultas (parte 1)

Pessoas, inicio com alguns dados/estatísticas (provocações?), para que, num outro momento, recupere as forças e continue com esse desatino...

A situação calamitosa do "nosso" sistema prisional não é novidade para ninguém: cadeias superlotadas, em situação precária, sem as condições mínimas de sobrevivência. A maioria dos detentos não tem acesso a serviços básicos de saúde, uma boa alimentação e quem dirá acesso à educação. Vivem num estado de abandono total; a vida no cárcere os priva de coisas mínimas capazes de promover o sentimento de dignidade (contos da Carochinha).
Segundo Teixeira (2007), o sistema prisional recebe cerca de 8 mil pessoas a cada mês, sendo necessária a abertura de mais de 130 mil vagas para dar conta de todo esse contingente. Por mais que sejam criadas novas vagas, a população carcerária cresce incontrolavelmente. As penas alternativas poderiam ser uma possibilidade de diminuir a situação de superlotação. Estima-se que cerca de 30% da população cativa poderia estar cumprindo penas alternativas (TEIXEIRA,2007). Enquanto em outros conglomerados (europa) a aplicação das penas alternativas é realizada em quase 70% dos casos, no Brasil esse quadro não atinge os 10%. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (2007), órgão vinculado ao Ministério de Justiça , a maioria da população cativa brasileira não cometeu crimes violentos, “não” oferecendo, portanto, risco à população (críticas?). Os crimes hediondos representam a minoria dos casos, cerca de 8,9% (TEIXEIRA,2007). Os crimes de maior ocorrência estão associados a pequenos furtos, roubos, venda de droga, entre outros.
O perfil dos detentos é um dado interessante a ser observado. Grande parcela da população carcerária vive às margens de uma vida econômica ativa. São pessoas que não partilham dos tais “direitos humanos”, dos direitos de moradia, saneamento básico, educação, saúde, lazer... antes da vida reclusa da prisão (sem generalizações), já viviam excluídos, marginalizados pela sociedade. A maioria dos cativos são homens, jovens, “pobres”, não-brancos e de baixa escolaridade (formal). Segundo Julião (2007), cerca de 70% da população carcerária não chegou a completar o Ensino Fundamental. Grande parte dos detentos estão na faixa entre os 18-30 anos, o que evidência uma população penitenciária bastante jovem, e que, de acordo com o que espera a sociedade, deveriam estar inseridas no grupo de pessoas economicamente ativas do país.
A falta de políticas voltadas para a população carcerária só agrava o quadro de decadência do sistema prisional. O percentual de reincidência criminal está em torno dos 50 a 80% (TEIXEIRA, 2007). Esse dado nos remete à reflexão sobre as medidas tomadas para ressocialização dos detentos; afinal, o que se tem feito para integrar os indivíduos à sociedade? Que chance esses sujeitos têm de exercer seus direitos enquanto cidadãos, após passarem por um período de reclusão no qual não lhes eram garantidas condições mínimas de vida, de dignidade (o que é dignidade afinal?)? O que o Estado tem feito para melhoria de vida dessas pessoas, que possibilitasse ao menos sua ressocialização? E nós, enquanto cidadãos, o que temos feito? De acordo com Teixeira, quem se “ressocializa”, o faz sozinho, porque são poucas as propostas do Estado nesse sentido. A sociedade civil também não parece marcar presença nas discussões acerca das condições daqueles que estão, literalmente, do outro lado do muro. Infelizmente ainda prevalece entre nós, a visão negativa e preconceituosa dos que fazem/fizeram parte do crime, sendo “comum” pensarmos que “ eles estão lá porque fizeram por merecer”, “ eles não têm direito aos direitos”, como se o sistema penitenciário fosse isolado da sociedade, sem nenhum tipo de conexão, perdido em um mundo a parte...


Referência

TEIXEIRA,Carlos José Pinheiro. O papel da educação como programa de reinserção social para jovens e adultos privados de liberdade: perspectivas e avanços. Boletim Salto para o Futuro : Eja e Educação prisional, n 6. Secretaria de Educação a Distância, Ministério da Educação, 2007.

Abstrações de Michelle N. de Resende :):

quarta-feira, 13 de abril de 2011

REPRODUÇÃO DA VIOLÊNCIA

Durante as aulas de Bourdieu, e na leitura de "A Reprodução", achei interessante como este autor coloca o quanto somos dependentes do outro para a nosssa própria formação como ser social. Para a formação do nosso self o autor coloca que esta se dá através da participação e limitação do outro em nós.
Então fiquei me perguntando: Já que na escola ocorre a "reprodução" do nosso sistema social, não é de se estranhar que o nível de individualismo neste ambiente seja altíssimo, e isto com certeza tem cooperado e muito, além é claro de outros fatores, para o aumento da violência escolar. ANSER em uma de suas pesquisas sobre violência escolar, afirma: “A agressividade, que faz parte da natureza afetiva do ser humano, quando reprimida, pode se manifestar como violência. A dificuldade em se perceber a diferença entre ações agressivas e violentas pode promover a repressão... criando-se um ciclo do qual participam professores e alunos.” (2003) Este ciclo já virou rotina em nossas escolas, onde  a troca de pápeis entre os atores escolares é comum, ora sendo vítimas, ora protagonistas da violência escolar.
Um fato é certo, a violência escolar ganhou status de problema social, portanto ela não atinge só os agentes do sistema educacional, mas toda a sociedade. Até quando a sociedade continuará passiva diante da "reprodução" de tanta violência?

SANDRA RANCAN

terça-feira, 12 de abril de 2011

Uma proposta didática para a Pedagogia Histórico-Crítica

Estive fascinada, nas últimas semanas, lendo sobre a Pedagogia Histórico Crítica de Demerval Saviani. E, fuçando na internet, descobri que não só a pedagogia Histórico-Crítica em si já é uma aula e tanto, como também um professor amigo de Saviani nos fez o favor de propor uma Didática adequada aos princípios desta pedagogia. Lendo mais sobre o assunto, descobri que esta didática se enquadra perfeitamente nas propostas metodológicas para o ensino da nossa querida disciplina.
No livro "Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica", João Luiz Gasparin nos traz a possibilidade de uma metodologia de ensino que passe pelas etapas dialéticas da prática-teoria-prática. Ele esclarece que este processo se dá no seguinte movimento: parte do conhecimento da realidade empírica da educação e, através do estudo da teoria, da abstração, possibilita chegar à realidade concreta da educação, realidade plenamente compreendida.
Um dos principais papéis da Sociologia no Ensino Médio é promover a desnaturalização, o estranhamento e a tomada de consciência dos fenômenos sociais, na intenção de superar o senso comum que está enraizado no ambiente educacional. Analisando, portanto, a didática da Pedagogia Histórico-Crítica, descobrimos que uma das suas principais funções é privilegiar a contradição, a dúvida, o questionamento, despojando os conteúdos de sua forma naturalizada, pronta e imutável, tendo como ponto de partida a realidade social mais ampla.
Ao professor de Sociologia são concedidas duas escolhas metodológicas: apresentar aos alunos as teorias e o conhecimento necessário para poderem desenvolver o conhecimento sobre a sociedade em que vivem; ou apresentar a sociedade em que estes alunos vivem para posteriormente elaborar o conhecimento que precisam desenvolver visando compreender a lógica do seu funcionamento e os fatores determinantes dos processos sociais, podendo assim enxergar a si mesmos como sujeitos transformadores desta sociedade. E a didática da Pedagogia "Dialética" (como ele também a nomeia) sugere exatamente a segunda metodologia.
Esta didática contribui, portanto, para que a Sociologia se consolide como uma disciplina respeitada no meio educacional e para que tanto alunos quanto professores, e também a comunidade em geral, a reconheçam como necessária para que o processo de ensino-aprendizagem saia da simples transmissão de conteúdos para a formação de sujeitos críticos, preparados para a realidade da sociedade e capazes de compreender o todo maior que orienta não só a educação, mas todas as formas de organização social.
Como disse a professora Lucinéia, realmente é uma baita leitura complementar para transportar a Pedagogia Histórico-Crítica para a realidade sala de aula. 

Larissa Messias Moraes

Noticias sobre a nova gestão da Secretária de educação de Goiás

Oi pessoal, li uma reportagem que saiu  no jornal Diario da Manhã da semana passada, na qual retrata a nova gestão da Secretária da educação de Goiás. Segundo essa nova gestão tem o objetivo de visitar cada escola para conhecer problemas espcificos da escola assim terá um melhor diagnostico dos problemas especificos de cada escola para que estas tenham condições ideiais de funcionamento, porque nela vão realizar uma das mais importantes experiências educacionais do País. Só espero que cumpram realmente o que estão propondo e não fiquem somente no exibicionismo de que irá fazer mais projetos para educação do que a gestão passada, que aliás pouco fez para a educação.
Flávia Kamilla

Um passo adiante na inclusão escolar

Muitas pessoas acreditam que no Brasil existe somente uma língua, no entanto nossa nação é bilíngue desde de 2002 que a lei 10.436 entrou em vigor, reconhecendo a libras como língua nativa( não estrangeira). O progresso desta conquista veio ocorrendo de forma lenta, mas após nove anos do reconhecimento da língua formaram-se as primeiras turmas, na UFSC, sendo que existe outros nove polos que ministram o curso na graduação.


Thaís Santos