quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quem tem medo de letramento?

 Já ouviram falar em letramento? Referente aos usos da escrita e da leitura como instrumentos de interação social, é mais comum termos reflexão e produção de conhecimento sobre letramento na linguística, no entanto letramento não deixa de ser um dos elementos básicos para qualquer contexto em sala de aula.

 Que estratégias usar para dar aulas? Que textos usar? O que pretendemos com o material em sala e que discussões poderemos levantar com base nesse material? São questões não só de que autoras e autores usar, mas questões de letramento, sobre os domínios sobre escritas, e o domínio que as pessoas tem sobre as discussões que colocaremos. O artigo da Nelly sobre letramento, está focado em educação para jovens e adultos, mas vale lembrar que em qualquer sala de aula de ensino público ou privado, zona urbana/rural, teremos pessoas com leituras e acessos diferentes, e podemos nos atentar para algumas dicas que ajudariam a dar aulas que envolvessem as diferenças.

 Uma questão de metodologias então? Se sim, uma das propostas que tivemos contanto até hoje, em nossas aulas na licenciautura em termos de estágio, foi; partir das pessoas, dos conhecimentos que elas trazem, e compartilhar propostas e conhecimentos que elas desconheçam. Mas como fazer isso? Uma das respostas, para mim, está formulada no que se chama de pedagogia do oprimido, e na pedagogia da oprimida; metodologias feministas de práticas de ensino. No texto abaixo, Nelly traz algumas discussões interessantes sobre alguns dos apontamentos que fiz aqui, apontamentos sobre propostas de letramento que ajudam a pensar em apontamentos para metodologias de ensino.



Elismênnia

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vídeo das PPPs

Este vídeo é um desenho das Parcerias Público Privado - PPPs, algo muito atual, apesar de serem poucas as discussões na sociedade... Discussões sobre as PPPs fazem parte do cenário Político Goiano. Transformações impostas a sociedade sem consulta previa e mais sem transparência.
E nos cientistas sociais! será que podemos opinar sobre o assunto? o que podemos fazer? ou ainda o que devemos fazer? Enquanto intelectual ( no sentido proposto em Gramsci) qual seria o nosso papel para com a nossa sociedade?


http://youtu.be/DRJabe-QrsM

Cíntia Dias

Video PPPs

Este vídeo é um desenho das Parcerias Público Privado - PPPs, algo muito atual, apesar de serem poucas as discussões na sociedade... Discussões sobre as PPPs fazem parte do cenário Político Goiano. Transformações impostas a sociedade sem consulta previa e mais sem transparência.
E nos cientistas sociais! será que podemos opinar sobre o assunto? o que podemos fazer? ou ainda o que devemos fazer? Enquanto intelectual ( no sentido proposto em Gramsci) qual seria o nosso papel para com a nossa sociedade?


http://www.esquerda.net/dossier/bê-á-bá-das-parcerias-público-privadas

terça-feira, 19 de abril de 2011

Noções de Pierre Bourdieu e Gramsci

Noções de Pierre Bourdieu sobre:

Violência simbólica = imposição arbitrária que, no entanto, é apresentada àquele que sofre a violência de modo dissimulado, que oculta as relações de força que estão na base de seu poder.
Ação pedagógica = é uma violência simbólica porque impõe, por um poder arbitrário, um determinado arbitrário cultural.
Arbitrário cultural = concepção cultural dos grupos e classes dominantes, que é imposta a toda a sociedade por meio do sistema de ensino. Tal imposição não aparece jamais em sua verdade inteira e a pedagogia nunca se realiza enquanto pedagogia, pois se limita à INCULCAÇÃO de valores e normas.

A ação pedagógica implica num trabalho pedagógico, sendo como um trabalho de INCULCAÇÃO de um arbitrário de princípios culturais que são impostos por um sistema de ensino de modo que, mesmo depois de terminada sua fase de formação escolar, ele os tenha incorporado aos seus próprios valores e seja capaz de reproduzi-los na vida e transmiti-los aos outros – Bourdieu afirma isto é adquirido num HABITUS. Uma vez que o arbitrário cultural é inculcado ao habitus do professor, o trabalho pedagógico reproduz as mesmas condições sociais de dominação de determinados grupos sobre outros que deram origem àqueles valores dominantes. O que explica, no pensamento de Bourdieu, a desigualdade que está na base do processo de seleção escolar?
Um sistema de ensino institucionalizado que visa realizar de modo organizado e sistemático a inculcação de valores dominantes reproduzindo as condições de dominação social que estão por trás de sua ação pedagógica. Bourdieu apresenta exemplo das condições de classe de origem dos alunos que entram no sistema de ensino francês determinam tanto a probabilidade de passagem ao nível escolar seguinte, quanto, ainda, o tipo de estabelecimento de ensino ao qual ele tem acesso, esta situação se reproduz, do ensino básico ao médio e ao superior e determina também, no final das contas, a “condição de classe de chagada”, deste aluno, isto é, o tipo de habitus que adquiriu, o “capital social” ao qual teve acesso e, em especial, a posição na hierarquia econômica e social a que chegou. (P.74).

Já em Gramsci para neutralizar as diferenças, devidos à procedência social, deviam ser criados serviços pré-escolares. A escola deveria ser única, estabelecendo-se uma primeira fase com o objetivo de formar uma cultura geral que harmonizasse o trabalho intelectual e o manual. Na fase seguinte, prevaleceria a participação do adolescente, fomentando-se a criatividade, a autodisciplina e a autonomia. Depois viria a fase da especialização. Nesse processo tornava-se fundamental o papel do professor que devia preparar-se para ser dirigente e intelectual. O desenvolvimento do Estado comunista se ligava intimamente ao da escola comunista: a jovem geração se educaria na prática da disciplina social, para que a realidade comunista se tornasse um fato. O advento da escola unitária significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial na apenas na escola, mas em toda a vida social. O princípio unitário, por isso, refletir-se-á em todos os organismos de cultura, transformando-se e emprestando-lhes um novo conteúdo. Gramsci define duas categorias de intelectuais: o orgânico, proveniente da classe social que o gerou, tornando-se seu especialista, organizador e homogeneizador e o tradicional que acredita estar desvinculado das classes sociais, os que nascem numa determinada classe e cristalizam-se, tornando-se casta, como exemplo são mais típico Gramsci cita os clérigos (cf 1989, p. 23), hoje podemos dizer que são os militares, professores universitários e etc... Os intelectuais têm a função de unificar os conceitos para criação de uma nova cultura, que não se reduz apenas a formação de uma vontade coletiva, capaz de adquirir o poder do Estado, mas também a difusão de uma nova concepção de mundo e de comportamento. Nessa empreitada, torna-se fundamental o papel das instituições privadas da sociedade civil como a igreja, escola, sindicatos, jornais, família e outros, como entidades concretizadoras de uma nova vontade e moral social. Gramsci diferencia o intelectual urbano do rural. Enquanto os intelectuais urbanos ascendem socialmente, confundindo-se com suas classes, os rurais, na maioria tradicionais, estão ligados à massa social campesina e pequeno-burguesa, posta em movimento pelo sistema capitalista. Estes ainda exercem uma forte influência nas camadas operárias, na medida em que se apresentam como modelo de ascensão social, também cumprem um papel político-social, ao mediar a relação entre massa e o espaço político local. Os intelectuais urbanos como técnicos de fábricas não exercem influência política na massa, ao contrário, sofrem influência destas pelos seus intelectuais orgânicos.

VANIA LOPES DA SILVA BORGES

domingo, 17 de abril de 2011

População carcerária no Brasil

Michelle é isso mesmo! Tudo que você relatou aqui é a mais cruel realidade. O sistema carcerário brasileiro não cumpre seu papel primeiro, que é o de reeducar, mas apenas humilha e corrompe cada vez mais. Condenar uma pessoa ao cárcere é condená-lo a uma estrutura degradante, com pouquíssimas chances que voltar a integrar a “sociedade”.
Se a situação se configura dessa maneira, imagine quando se trata de presos jovens. Torna-se mais complexo ainda porque os jovens que estão ali são em sua maioria pobres que vieram de famílias desestruturas. E ainda mais, esses jovens encarcerados, devido à baixa escolaridade, não dispõem de informações suficientes para saber dos seus direitos. Muitos desses jovens já deviam estar em liberdade, mas continuam presos por falta de informação e de um atendimento jurídico eficiente. Para minimizar essas questões o Conselho da Juventude do Estado de Goiás pretende implementar uma política de assistência gratuita à população jovem carcerária no Estado de Goiás. O intuito é prestar assessoria jurídica aqueles que não têm condição de pagar um advogado e assim agilizar os processos resguardando seus direitos.
Outra questão que envolve esse debate sobre a população carcerária no Brasil é a polêmica sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. São muitos os questionamentos, um deles é sua inconstitucionalidade, isto é, na Constituição Federal em vigor, Art.228 – dispõe que os jovens menores de 18 anos são plenamente inimputáveis - e que essa é considerada uma cláusula pétrea, portanto só poderia ser alterada através de uma nova constituinte.
Além disso, a ideia de que o jovem infrator não é punido ou que a juventude está mais violenta e alguns casos de crimes bárbaros cometidos por jovens levam cada vez mais a opinião pública a apoiar a redução da maioridade penal. Mas não levam em conta o que realmente está por trás da crescente violência no país que a exclusão e a desigualdade social. Reduzir a idade penal significa jogar cada vez mais cedo jovens e crianças no mundo do crime. A solução não é simplesmente punir, mas principalmente educar.

Sandra Regina Alves

sábado, 16 de abril de 2011

As instituicões carcerárias são capazes de promover a reinsercão bem sucedida dos ex-detentos na sociedade?

À postagem da Michelle,
   O que a colega trouxe me lembrou a atual obra que estamos trabalhando em sala de aula, Vigiar e Punir, Michel Foucault, na qual um dos princípios lancados pelo autor, que em tese constituiria a base da boa condicão penitenciária, é justamente a educacão penitenciária.
   A educacão carcerária quando foco de rebeliões, montins, protestos, etc. chama a atencão da sociedade civil  e do poder público. Mas fora essas ocasiões, a instituicão torna-se foco de uma "dupla exclusão", ora por "abrigar" indivíduoas játidos como excluídos, ora pelo esquecimento diante da sociedade e do próprio poder público.
   Entendia-se que a finalidade da prisão seria o combate a criminalidade, o que se daria não somente por punicão, mas também pela busca da reisercão do indivíduo encarcerado, o que estaria intimamente relacionado à educacão, idealmente proporcionada pelo poder público afim de promover uma instrucão geral e profissional ao indivíduo encarcerado. 
   O grande problema disso está na ainda existente contradicão entre o que se considera mais importante: punir ou reintegrar?
   Segundo o poder público, a boa condicão penitenciária se pauta, como Foucault intitula sua obra, no "vigiar e punir", a ordem/ disciplina por meio do cumprimento de normas/ regras.
   É justamente nesse sentido que nos deparamos com possibilidades e limites de uma educacão penitenciária, a qual se depara em dois caminhos: reforcar/ reproduzir uma instituicào de dominacão ou desenvolver potencialidades humanas, cumprindo a proposta educacional de levar em conta a "vocacão ontológica" do homem e o contexto em que está inserido.
   O que se deve entender é que o sujeito já se encontra na prisão como forma de punicão e não para punicão, não se fazendo necessário, portanto, que se prive tal indivíduo do que lhe é de direito: à educacão.
   A prisão deve sim transformar o comportamento do indivíduo, não simplesmente pelo seu caráter punitivo, mas pelo conjunto das áreas do conhecimento (psicologia, assistencia social, sociologia, engenharia, etc.) e principalmente pela educacão.
   Sem a educacão as instituicões carcerárias não são capazes de promover a reinsercão bem sucedida dos ex-detentos no convívio social, pois ficará ainda neste sujeitos os resquícios da "dupla exclusão".

Kárita Segato

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Educação e Educadores em um Contexto de Mudança.

Educação e Educadores em um Contexto de Mudança.


Discutir a influência do legado gramsciano, no âmbito do pensamento acadêmico educacional brasileiro, está delimitada nos últimos quinze anos, entre 1979 e 1994. Os últimos anos da década de setenta representam o marco inicial da interlocução da pesquisa educacional no Brasil com as idéias gramscianas onde, nosso querido Dermival Saviani (em pedagogia histórico-critica), contribuiu e organizou estudos desembocando as idéias Gramscinianas e cabendo à década de oitenta a consolidação desse esforço e nos anos noventa indicam uma tendência de descenso dessa interlocução.
Por tanto, discutir o processo de apropriação do pensamento gramsciano possibilita a meu ver, introduzir alguns pontos para a reflexão sobre as várias leituras do seu legado teórico e, em particular o nosso também que não são muitos mais geram divertidas discussões, sobre os problemas que cercam a questão do historicismo na sua obra e sobre é claro a EDUCAÇÃO e EDUCADORES. Além da oportunidade de discutir Gramsci, é claro! Essa polêmica nos permite trazer à tona uma série de questões pertinentes ao debate mais amplo da produção científica, dos acontacimentos que estão latentes na área educacional no Brasil e também discutir as condições atuais da educação e de vivência. Abrindo um parênteses para discutir Bourdieu e criticar alguns métodos que alguns professores estão se apropriando e gerando um caos ao meu ver educacional e situacional.
Uma das teses principais ou centrais na Sociologia da Educação em Bourdieu é a de que os "alunos não são indivíduos abstratos que competem em condições relativamente igualitárias na escola, mais são indivíduos socialmente constituídos que trazem uma bagagem social, cultural e econômico diferenciada". Foi o que me fez pensar em uma problemática na qual estamos lidando com a educação não formal, devido ao estar em uma instituição museal (MA-UFG), acho que de certa forma como pude notar em uma grande parte de professores inclusive nas áreas de humanas e que envolvem alguns professores de pedagogia, vejo que o proprio contexto de "humanização" simplesmente desapareceu do ser EDUCADOR me pergunto por onde ele anda? E o que faz um Educador agredir um aluno quando se está praticando uma educação cidadã? Se teoricamente eles são como cita Paulo Freire onde concorda com Cachin Marcel "O próprio homem, sua "posição fundamental", é a de um ser em situação - "situado e fechado". "Um ser articulado no tempo e no espaço, que sua consciência intencionada capta e transcende. E que "Á possibilidade de admirar o mundo implica em estar não apenas nele, mas com ele; consiste em estar aberto ao mundo, captá-lo e compreendê-lo; é atuar de acordo com suas finalidades a fim de transformá-lo. Não é simplesmente responder a estímulos, porém algo mais: é responder a desafios. As respostas do homem aos desafios do mundo, através das quais vai modificando esse mundo, impregnando-o com o seu "espírito", mais do que um puro fazer, são atos que contêm inseparavelmente ação e reflexão".
Então não concordo plenamente com as explicações pré deterministas das vias de comunicação de massa, quando se elabora reflecção sobre a Reprodução da Violência no ambito escolar como se issofosse algo pré-determinado sem possibilidades de MUDANÇA. Acredito que a educação ela sendo Formal ou não formal pode provocar mudanças no corpo (institucional) e no "ser", indo ao encontro dos conflitos e das dificuldades. A reprodução da violência seja ela simbólica ou fisica ela se coloca em um estado e não em uma condição pré-determinada como se fosse uma anomalia genética que se arraiga no DNA e que se é herdado e passado para frente. Nesse sentido, quanto mais "conhecer, criticamente, as condições concretas, objetivas, de seu aqui e de seu agora, e de sua realidade, poderá realizar a busca, mediante a transformação da realidade".
A reprodução da violência em geral e nas escolas no qual se coloca o foco dessa discussão, estão arraigados a um problema maior na qual eu acredito que seja a banalização do proprio conceito de violência, de poder , de indivíduo e da moral.
Precisamente porque o Professor e a instituição que acolhem essa demanda da classe trabalhadora se coloca em uma posição fundamental que é a de "estar em situação", e ao debruçar-se reflexivamente sobre a "situacionalidade", conhecendo-a criticamente, insere-se nela para levantar questões e desenvolver estratégias . Essa refexão simploria foi somente colocar as angustias de meu ser "humanista" de "ser" do que pura e simplesmente uma inquietação repentina do "SER EDUCADOR"!



Roberta Rodrigues de Sousa Goes