quarta-feira, 18 de maio de 2011

JORNAL UFG


“... enquanto alguns foram à Lua, muitos nunca foram à escola”
20/04/2011

Professora da Faculdade de Educação fala sobre letramento digital e aprendizagem em rede
Gosto muito de ler o jornal da UFG, no nº 44 de abril de 2011, entre as várias matérias publicadas encontram-se três que dizem respeito à educação, as três são muito interessantes. A primeira tem como título: Questões para a aprendizagem em rede, da professora Débora Duran da Faculdade de Educação. Ela “busca compreender de que forma ocorre a apropriação do conhecimento em tempos de alto desenvolvimento tecnológico.”  Ela aborda um pouco sobre a EAD (Educação a Distancia), sua importância e de como esta ainda constitui um desafio altamente complexo para a educação.  Fala sobre a TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) como estas tem atuado sobre a sociedade, mas que não podem garantir o pleno desenvolvimento cognitivo e social do individuo. Gostei muito da maneira como ela coloca todo esse desenvolvimento e de como a ID ( Inclusão Digital) além da suposta democratização que traz em seu bojo possui na verdade outros interesses mais fortes.
O texto nos faz refletir sobre o fato de que mais uma vez a formação de cidadãos críticos passa não só pela educação formal, pois como sabemos esta é muito manipulada, mas passa também pela educação não formal, aquela do dia a dia, em nossos encontros, conversas, discussões, questionamentos e etc.,  onde ocorre o “agir comunicativo” de Habermans.
Fica aqui a dica para a leitura de todo o texto da entrevista que pode ser lido na integra no www.jornalufgonline.ufg.br
Sandra Rancan

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Uma concepção acadêmica á respeito das ciências humanas.

Esta semana no jornal nacional está passando uma série sobre educação, cada dia aborta um aspecto, e ontem foi falado sobre a profissão do professor, e no final da série foi monstrado uma tabela com a porcentagem de como tem diminuido profissionais que atuam na área da educação em especial na licenciatura.
Será porque essa porcentagem tem caído consideravelmente?
Porque professores ganham mal? Porque a realidade na atuação da profissão é uma tarefa árdua? Porque não se tem o reconhecimento devido?
Talvez a resposta esteja propriamente na formação desses profissionais, onde já encontram na sua formação dificuldades que os desamine! Pois dentro do mundo acadêmico esses cursos são vistos como coloca  DEMO eles são vistos como restos do vestibular. Será que a opção por tais cursos foi uma escolha espontânea?
Pois bem, de todos esses questionamentos feitos a única certeza que tenho é que através da educação podemos exercer de fato a discutibilidade, penso aqui a escola como a antiga ágora, que nada mais era a praça grega, que servia para comercializar produtos mas alem disso seu foco maior prevaleceu as discussões e as trocas de ideia que ali ocorria, assim as experiências filosóficas ganharam um caráter dialético, assim eu espero que mesmo tendo no espaço escolar todas limitações não perca seu caráter transformador, que antes de tudo que os profissionais que trabalham nessa área tenha consciência disso.

Thaís Santos

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Merenda Escolar - Parte II: A questão é Política.


A Questão é Política
Proposta para o engajamento prático-teorico.

Desculpem-me a insistência, mas necessito compartilhar com meus colegas a carência, que ainda sinto principalmente de nós graduandos. Carências de debate e, mais que isso, de atitude, de ação sobre o cotidiano. Afinal, estamos trilhando o caminho para atuarmos como “cientistas sociais”, e tenho a firme convicção de que tão importante quanto a teoria, é  a prática.
Pouco se discute sobre a realidade fora das salas de aula - concordam? Acho que o individualismo, o tempo exíguo e as ambições pessoais nos separam e por isso nos entorpecem quanto à necessidade de se pensar sobre os inúmeros problemas que, de fato e não de teoria, afligem a sociedade lá fora. Não estou negando a teoria: estou dizendo que a teoria por si só não é transformadora: pertence ao território da contemplação e não da ação. A junção das duas dimensões é que possibilita transformar a realidade. Temos teoria de mais e prática de menos.
Ou talvez eu realmente seja ingênua em acreditar que nas Ciências Sociais eu possa encontrar respostas para “fazer a diferença” em prol de um mundo melhor, já que esta se propõem a ser a flor das ciências da humanidade. Pode ser, contudo, que eu seja muito passional e queira extrapolar os limites convencionais do conhecimento, que se entende apenas como locus de reflexão e não de engajamento.  
Bom, não sei.
Fico muito indignada com a inércia da maioria dos estudantes. Não faz sentido que pessoas que se dedicam ao estudo da sociedade não tenham curiosidade e até paixão pela política. Somos afortunados pelo valoroso e constante contato com o conhecimento, em busca da verdade. Temos o melhor em termos de quantidade e qualidade; acesso ao conhecimento científico que por sorte nos é apresentado de forma diversificada, tendo em vista as diversas orientações teórico-metodológicas oferecidas pelos nossos mestres e disponíveis nos livros.
E, mesmo assim, enquanto acadêmicos poucos produzimos ou nos envolvemos com a política. Importante: não me refiro à política stritu sensu, partidarizada, mas sobretudo à política maior, que diz respeito a valores, a princípios e ao engajamento nas grandes causas humanas. Creio que isso é muito importante para transformar o mundo. Para tanto, gostaria de propor aos colegas de classe  uma construção em conjunto de temas cotidianos referentes à escola e à educação, um daqueles espaços de transformação que demandam tal engajamento. 

Cíntia Dias

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Merenda escolar


Essa é a realidade das nossas escolas públicas!

Ontem foi noticiário do Fantástico este vídeo. Gostaria de dividir com turma e abrir para possíveis comentários.

Cíntia Dias

Desabafo e Alívio!


Confesso que as últimas semanas tem sido complicadas pra mim. Comecei a trabalhar com Saviani tem pouco mais de dois meses, e me regozijava com tudo o que lia. Incorporei tudo o que ele dizia da possibilidade de uma pedagogia que desenvolvesse nos estudantes uma consciência diferenciada, crítica e transformadora... E realmente me encontrei (ingenuamente).


Mas... poucos dias depois de me encontrar em Saviani, recebi a indicação da leitura de Bourdieu e Passeron pela disciplina de Teoria Social 1. Admito que li a primeira página e parei.  Poucos parágrafos já me bastaram para ficar com uma enorme pulga atrás da orelha. Como aquele cara (que é um dos maiores autores da nossa área, portanto difícil de ser ignorado) vêm destruir toda a minha alegria, toda a minha esperança para a educação?
Dei alguns dias, depois respirei fundo e comecei a ler novamente, disposta a, se for preciso, destruir o que eu havia construído com a pedagogia de Saviani, e se preciso, construir novas concepções (frias e cinzas) com base na discussão de Bourdieu.

Ao longo da leitura realmente fui percebendo o quanto Bourdieu consegue fazer uma análise concreta do que é a nossa sociedade e o nosso sistema pedagógico. Ele já tinha previsto até que nós, futuros professores, acreditaríamos que faríamos a diferença no sistema de ensino, sem perceber que no fundo estaríamos reproduzindo todo o arbitrário cultural dominante.
Tudo o que ele disse naquele livro faz completo sentido, e é inevitável repensar todas as nossas concepções de vida, de sociedade, de indivíduos. Depois, para dar um empurrãozinho na minha desilusão, começamos a ler Foucault, que também fez uma leitura muito real do nosso sistema, de como a disciplina estava em todos os lados nos acomodando, nos conformando, sem que percebêssemos, e como o sistema educacional, nas suas didáticas, em seus livros, na arquitetura das escolas, utilizava destes artefatos para impor sutilmente uma ordem social.
Ao fim disso tudo eu já pensava em refazer minha pesquisa, mudar todo o tema, e começar do zero. Até que surgiu uma pontinho de esperança.

Por causa de um resumo a ser feito pela disciplina de Estágio 3, tive que ler novamente o livro sobre a Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani. E nessa leitura, agora menos focada em encontrar partes que comprovassem minha pesquisa e mais ocupada em tentar salvar o que ainda restava dela, me atentei para partes que antes tinham passado batido.

Ao reler Saviani, tendo agora lido A Reprodução, tudo o que ele disse das teorias "crítico-reprodutivistas" ganhou novas faces. O que me incomodava realmente em Bourdieu e Foucault é exímia análise do concreto, do sistema tal qual é, e a inexistência de propostas, de saídas, de algo que possa mudar essa realidade. E Saviani admite tudo o que eles disseram, mas a sua grande diferença é não parar por aí.
Admitir que toda ação pedagógica é uma violência simbólica, etc., não muda que o sistema em si possui brechas que levariam à sua própria destruição, não impossibilita de admitir o caráter contraditório do problema educacional, de assumir a movimentação histórica que existe de para superação do sistema atual, que está implícita em suas entranhas. Ele nos diz que a educação deve ser considerada como determinada pela sociedade em ação recíproca, ou seja, significa que educação também interfere sobre a sociedade, 
podendo contribuir para a sua transformação.

Essa afirmação já nos abre novas portas para o entendimento da educação e para o reconhecimento de como fica o nosso papel neste processo. Mas essas duas leituras foram simplesmente essenciais para compreendermos o funcionamento do sistema educacional e, assim, conseguir enxergar o que podemos fazer e o que precisa ser feito se quisermos que a nossa atuação como professores não seja uma ação reprodutora.

Desculpem o desabafo e o tamanho do texto, mas eu estive curiosa para saber se, durante a leitura de Bourdieu e Foucault, fui só eu que estive a beira de uma "crise existencial". Espero que nosso professor também nos ajude a desfazer os nós que foram feitos com estas duas últimas leituras, nos indicando outras boas leituras como estas. Aos que possuem outras visões a respeito da pedagogia de Saviani, peço que comentem e levantem o debate, porquê meu pensamento, inevitávelmente, ainda está em contrução.


Larissa Messias

sábado, 7 de maio de 2011

Esquentando as idéias

Quero compartilhar com vocês dois textos que de certo modo abordam assuntos que temos estudado em Bourdieu e Demerval Saviane, (inclusive o texto de Newton Duarte : Ontologia do ser Social ). A minha intenção é instigar a reflexão e talvez na troca de idéias, ampliar nosso campo de discussão, gerando mais problematizações.

O primeiro deles  consiste de fragmentos da homilia de Bento XVI por ocasião da Beatificação de João Paulo II no último  1º de maio.

(João PauloII)... abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade.

...Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. ...ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.


O outro texto é de um professor de Filosofia da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas: “É preciso aproximar mais” que convido a leitura no link:Pedagogia Histórico-Crítica: É Preciso Aproximar Mais

Ambos tocam num mesmo ponto que é o materialismo histórico e diáletico e seu legado no campo da educação e das idéias de mundo em geral. Eles, de certo modo, fazem uma desconstrução deste, cada um dos textos sugeridos de modo distinto.

Chamo atenção para o Trabalho pedagógico e o papel que exerce na produção de hábitus. Também para a questão do determinismo, (inevitabilidade), no que se refere a superação do sistema de produção capitalista.

Escolhi estes dois textos justamente por se tratarem de críticas a teoria marxista, como já disse inicialmente para ampliar nosso campo de discussão teórica.

Me lembro de ver constantemente caricaturas de João Paulo II em charges nas apostila de sociologia. Entendo que aparece fortemente na história dos anos de seu pontificado. Assim também Demerval Saviani, leitura obrigatória para a área da educação.

São inflexões possíveis e que aparecem na cultura popular. E podemos ser questionados por colegas de trabalho, como futuros professores, e professoras, ou mesmo na sala de aula.  Que no fundo esperam de nós algo sólido, ou pelo menos deveria ser nossa expressão,  e não como as vezes ocorre, de ser pelo contrário, fruto de "achismos"ou  um pensamento particular.



Dilma Maria


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quem tem medo de letramento?

 Já ouviram falar em letramento? Referente aos usos da escrita e da leitura como instrumentos de interação social, é mais comum termos reflexão e produção de conhecimento sobre letramento na linguística, no entanto letramento não deixa de ser um dos elementos básicos para qualquer contexto em sala de aula.

 Que estratégias usar para dar aulas? Que textos usar? O que pretendemos com o material em sala e que discussões poderemos levantar com base nesse material? São questões não só de que autoras e autores usar, mas questões de letramento, sobre os domínios sobre escritas, e o domínio que as pessoas tem sobre as discussões que colocaremos. O artigo da Nelly sobre letramento, está focado em educação para jovens e adultos, mas vale lembrar que em qualquer sala de aula de ensino público ou privado, zona urbana/rural, teremos pessoas com leituras e acessos diferentes, e podemos nos atentar para algumas dicas que ajudariam a dar aulas que envolvessem as diferenças.

 Uma questão de metodologias então? Se sim, uma das propostas que tivemos contanto até hoje, em nossas aulas na licenciautura em termos de estágio, foi; partir das pessoas, dos conhecimentos que elas trazem, e compartilhar propostas e conhecimentos que elas desconheçam. Mas como fazer isso? Uma das respostas, para mim, está formulada no que se chama de pedagogia do oprimido, e na pedagogia da oprimida; metodologias feministas de práticas de ensino. No texto abaixo, Nelly traz algumas discussões interessantes sobre alguns dos apontamentos que fiz aqui, apontamentos sobre propostas de letramento que ajudam a pensar em apontamentos para metodologias de ensino.



Elismênnia