quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sociologia e Arte

Semestre passado li um artigo de Robert A.Nisbet, que é um sociólogo americano que defende que a arte e a ciencia caminham juntas.Em seu artigo “A Sociologia como uma forma de arte“ o autor inicia especificando seu ponto de vista quanto a sociologia como uma forma de arte.Ao dizer que temos hábitos de tratar a ciência como se ela fosse substantiva e psicologicamente diferente da arte, confirma com exemplos de que arte e ciência são mutuas, como Leonardo da Vinci.
 Uma descordância quanto a isso é que a ciência procura esclarecer o que é fato, e quanto a arte, ela procura expor meio que o abstrato, o sentimento.
 Quanto ao método cientifico expõe o americano, que ciência flui de sistematização prontas, enquanto a arte flui expontaneamente sem “regras”. Ao dizer “ Qualquer forma de arte que é seria,o romance, o o poema ou a pintura, preucupa-se, primeiro antes de tudo com a realidade(...)”, isso não me parece ser muito de concordar, porque essas artes tratam a realidade como outra esfera,que existe, mas porem não querem estar nela pelo fato de que a realidade querendo ou não é sistematizada,acabam formando um universo paralelo , para que possam se refuigiar e criar suas artes com mais sentimento.Enquanto a ciência trabalha com o real,com o que tem em ”mãos”.
 O artista busca sua compreenssão no irreal, o cientista no real.Quanto o autor cita Eugene Rabinowitch, concordo quando diz que o artista é o individuo mais sensível da sociedade, sim, nesse ponto a arte e a ciência são paralelas, juntas uma da outra,pois o cientista tem que ter tal sensibilidade para captar e produzir teorias e tenta prova-las buscando meios , teóricos mas reais, afinal esse é um dos deveres da ciência.
 Quando fala das metodologias quantitativas, só que ate que ponto isso seria viável? Pelo fato de que a sociologia trabalha com casos, e ate que ponto a escolha do caso seria representativo. O autor diz que a sociologia é revoltada com a visão racionalista, dando a entender, que é uma  visão fechada do homem e da sociedade. Afirmando que a imagem sociológica surge de visões abrangentes apelos na arte romântica, o que seria uma distorção da imagem sociológica, porque os apelos românticos são apelos que buscam algo distante, na maioria das vezes algo platônico.   Mas em algum se pode concordar quanto a sensibilidade de captar a mais simples e imperceptível ação.
 Ao dizer “ Em algum lugar, Weber relaciona seu próprio conceito de racionalização á visão mais antiga do poeta Schiller do ‘desencantamento do mundo’. Ele foi sincero e preciso.Tocqueville, Simmel e Durkheim poderiam muito bem ter feito da mesma maneira.”, percebo , penso que ao comparar dessa forma, traz uma distorção a respeito da sociologia, pois entra em contradição,esses autores então estariam errados em não comprar seua conceitos com poesias?  Conceitos são fundamentados em estudos, a poesia por mais bonita que seja é algo que é fundamentado no sentimento.
 Para defender que a sociologia e a arte tem grandes afinidades, é que a sociologia e arte tem o plano de fundo as ordem social, os dois expressam ,mas de formas diferentes, o artista expressa com sua forna de arte ,na poesia, na pintura, nas esculturas e etc. O cientista se expressa nos seus estudos, nos conceitos, teorias , hipóteses.Um contrapondo é que o artista apenas expressa de alguma maneira o que pensa do mundo, o que esta sentido.O cientista procura respostas.
 Toda releitura e válida, sempre vai haver novas coisas a serem vistas, ate mesmo porque o mundo e suas visaoes estão em constante mudanças.Na parte IV ele separa a arte, faz uma diferença entre a sociologia e a arte que é uma forma de comunicação.Mas em compenssação  logo após afirmar que ambas operam o mesmo tipo de imaginação criativa , vem uma dura critica quanto a ametodologia sistematica, faz com que imaginamos algo que vai ser sempre do mesmo jeito, mas se formos analisar, temos então que estes são clássicos,sao coisas pensadas, feitas, que ninguem conseguiu fazer anteriormente, e que adiante, tentamos entender.Por isso essa metodologia, e o que se faz na sociologia não é isso, possui metodos variados, como a arte, mas que se desistematisar algo ira sair errado.O cientista social não é maquina, so trabalha com uma base sólida, não que isso seja definitivo, mas a base e suficiente para acompanhar algo que está em constante mutação.
 O autor passa a impressão de que é a favor da arte e contra a sociologia, devido as suas sistematização, a propria sociedade é sistematizado, pode mudar algumas coisas, mas a base, a essência é a mesma. Na sociologia não dá para ser criativo, tem que ser perceptivo, e critico a ponto de saber o que esta acontecendo, mesmo que na arte tambem tenha que ser perceptivo, mas é uma percepção sentimental, do abstrato.
 Não que a arte não seja validar, a arte tem seu valor, mas trata uma ciência como arte, tenho que não seja uma comparação muito certa, como disse antes, a ciência tem seu objeto real,, sua “inspiração” é real, é algo que se contradiz, enquanto a arte lida com o abstrato sentimento.Isso claro, uma opnião minha!


Jésse Kalein

Escolas da Grande Goiania : Comentário sobre a reportagem sobre IDEB do Jornal Nacional 19/05

Olá Maria Aparecida,
Recebi por colegas da educação esta carta que dá um enfoque diferenciado a questão e penso eu depois de lermos podemos ter perspectivas diferentes da apresentada anteriormente ou pelo menos fazer ponderações. Segue o conteúdo:

Esta carta foi enviada por e-mail a redação do JN, da qual estamos esperando por uma resposta ou explicação da referida reportagem.

   
    Bom dia!
   
    Sobre a reportagem do JN no Ar, exibida ontem, dia 19/05, que mostrou o perfil de duas escolas, da rede municipal, visitadas na grande Goiânia, quero neste contato, declarar a minha inquietude e indignação. Sou professor há pouco mais de um mês na Escola Municipal Maria Araújo de Freitas, na modalidade de educação para adolescentes, jovens e adultos no turno noturno. Ao assistir a matéria com meus colegas do turno noturno ficamos chocados, pois foi polêmica, tendenciosa e irresponsável.
    Polêmica porque não ficou claro para os telespectadores o que é IDEB, como a análise é feita, porque o IDEB foi o mais baixo do Centro-Oeste, quais as projeções das unidades escolares feitas pelo MEC em cada modalidade; não teve análise do perfil do público, não foi mostrado que o IDEB é um indicador estatístico e que nasceu como condutor de política pública pela melhoria da qualidade da educação e que sua composição possibilita não apenas o diagnóstico atualizado da situação educacional, mas também a projeção de metas individuais intermediárias rumo ao incremento da qualidade do ensino. O IDEB não existe para taxar a escola como melhor ou pior.
    Tendenciosa porque fizeram questão justificar os termos “a melhor” e “a pior” exibindo em letras garrafais os salários pagos aos professores das duas escolas com diferença de R$500,00 exibindo a professora Gisele como muito bem paga com salário de R$1.600,00, numa escola visivelmente bem estruturada e outra professora numa escola “simples”, com salário de R$1.100,00; comparou a gestão e o corpo docente das duas escolas, colocando uma de comprometida e a outra então seria o que? Irresponsável? Foi tendenciosa sim porque o Brasil soube que uma das gestoras já administra a escola há 8 anos, mas não perguntaram há quantos anos a professora Suzy é gestora; colocou que uma escola é de bairro pobre e a outra? É de bairro nobre? Quem disse isso? Não perguntaram como era a escola de pior IDEB em 2009, ano em que a avaliação externa foi aplicada. Se tínhamos alunos traficantes ou usuários de drogas, indisciplina estabelecida, falta de recursos, uma metodologia fracassada em toda a rede, professores mal pagos, prédio e equipamentos surrupiados.
    Foi tendenciosa sim, William Boner, pois o salário pago é o mesmo, só que esqueceram de perguntar porque a professora que ganha o miserável salário de R$1.600,00 fez e faz para consegui-lo: como ser aprovada em concurso público, estar na rede a mais de 20 anos, ter feito pós-graduação, cursos de formação continuada e o pior dobrar a carga-horária que chega a 60 horas semanais; e não existe diferença salarial na rede municipal de Goiânia, existe diferenças de conquistas, inclusive se o professor é concursado ou contratado temporariamente.
    Foi tendenciosa, pois vocês justificaram o melhor e o pior IDEB comparando a parte física da escola e que uma melhor que a outra por problemas de gestão, o que foi mostrado como uma estrutura boa é resultado de conquistas da gestora (que está na função porque foi eleita por voto secreto e direto, num processo eleitoral transparente e democrático), na manutenção realizada pelas funcionárias da limpeza, por mutirões feitos pela comunidade e outras lutas.
    O tema do JN no Ar é a base da vida – a educação – mas a reportagem foi irresponsável e inconsequente, pois foi feita com base em resultados de 2009 e esqueceram que existe uma comunidade dentro e em torno da escola, são alunos, pais, professores, vizinhos – comunidade esta que está sofrendo as conseqüências, sendo taxada de “burra”, de “escola fraca” e outros termos pejorativos mais. O IDEB apresentado é da prova de 2009 e o ano em curso é 2011, então, considero sim, a reportagem irresponsável, porque uma gestora que está no comando da escola em menos de 2 anos não pode ser taxada de descomprometida em detrimento de outra que dirige a escola há 8 anos; Irresponsável porque temos alunos matriculados nos três turnos e estes já estão sofrendo com bullying, sendo chamados de burros, que estudam numa escola ruim, que a escola vai fechar, e acredito que não, pois na aula após a reportagem ouvi os alunos dizerem com tristeza que não vão pedir transferência, pois consideram a escola um refúgio, são tratados com muito carinho e respeito, alimentam bem, os professores demonstram responsabilidade, compromisso e acreditam na capacidade de cada um.
    Irresponsável porque passaram a bola e a responsabilidade da qualidade de ensino apenas para o professor e ainda exibiu salários de R$1.100,00 e R$1.600,00 como se os professores fossem muito bem pagos em um país em que um deputado federal analfabeto e palhaço recebe pelo menos R$ 98 728,08. Além dos vencimentos, tem R$ 50 815,62 para pagar os assessores, mais R$ 4 268,55 para despesas postais e telefônicas e verba de transporte aéreo que oscila entre R$ 4 253,91 e R$ 16 938,44.
    Isso sem contar as despesas médicas, todas reembolsadas, o direito a publicações, o material de escritório, apartamento funcional, carro de luxo com motorista, segurança e as despesas comuns de manutenção da Câmara.
    Gostaria de saber em que a reportagem contribui para a melhoria da qualidade de ensino, em que colaborou para elevar a autoestima de toda uma equipe de uma escola que luta para melhorar o fazer pedagógico.
    Repudio a reportagem por não respeitar o processo democrático nas escolas e de desconsiderar os anseios da comunidade escolar.
                        Este é o meu parecer.
 assina o professor  
                                                               Arivaldo Alves Vila Real

Postado por DILMA MARIA

sábado, 28 de maio de 2011

Concurso Público Secretaria de Educacão do Município de Senador Canedo

No fim de semana passado (22/05/2011) foi realizado o Concurso Público da Secretaria de Educacão do Município de Senador Canedo. Para os que não ficaram sabendo e ainda não tiveram oportunidade de dar uma olhada na prova de "agente educacional", o tema da redacão foi o seguinte: Educacão: um meio de ascensão social e/ou de satisfacão pessoal?
Poder-se-ia escolher entre um artigo de opinião, no qual o autor deveria defender as posicões favoráveis à educacão como forma de ascensão social e ao mesmo tempo como meio de satisfacão pessoal; ou uma carta ao leitor, na qual deveríamos nos posicionar como um estudante de escola pública e relatar o que de fato significa a educacão para ele.
Dentre os textos da coletânea, houve um que fez referência ao vestibular: Jovens buscam a satisfacão pessoal na hora de escolher a profissão. Este me instigou bastante... me pareceu um tanto quanto incoerente, principalmente pelas discussões que fazíamos em sala acerca do texto do Pedro Demo.

Achei o tema muito provocativo... e está muito relacionado com as nossas discussões em licenciatura.

E vocês, o que acharam deste tema???

Kárita Segato

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Kit Anti-Homófobia: Educação e a disputa política e religiosa

        Kit será uma ferramenta para o professor trazer o debate sobre diversidade sexual na escola e quebrar preconceitos, mas eu me pergunto o que nós futuros profissionais da educação temos com isso e o que de fato sabemos disso?
       O Ministério da Educação, com intenção de combater a homofobia nas escolas pública do Brasil estava desenvolvendo um material junto a Ong Ecos (Comunicação em Sexualidade) fundada pela socióloga Sylvia Cavasin, com verba de R$ 1,8 milhão de uma emenda ao Orçamento aprovada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O dinheiro também serviu para financiar seminários e pesquisas sobre o tema. O kit seria entregue aos professores para que estes trabalhassem o tema em aula, com o material que concite em o caderno do educador, seis boletins para os estudantes e cinco vídeos, dos quais três já estão em circulação na internet. Os boletins deveriam trazer orientações sobre como lidar com colegas LGBT abordando assuntos relacionados a sexualidade, diversidade sexual e homofobia. O material seria destinado a alunos do ensino médio, com idade entre 14 aos 18 anos. Em 6 mil escolas da rede pública de educação onde o Mec identificou casos de homofobia.
        Desde o ano passado a proposta do Mec vem causando polêmica e protestos por parte conservadora e religiosa da sociedade. Desde pastores, padres e outros lideres religiosos que vem criticado e atacando a proposta. Segundo eles o Kit iria incentiva que os alunos se tornassem homossexuais. E pejorativamente o Kit vem sendo chamado por esses de Kit Gay que segundo suas teorias de conspiração seria parte de um plano de instalação de uma ditadura Gay junta a também polêmica proposta que tramita há anos no congresso PLC 122 que torna Homofobia crime inafiançável com 2 a 5 anos de prisão como o racismo.
        Outra critica também vem do famigerado Deputado Jair Boçal Bolsonaro, militar da reserva do exercito de extrema direita elitista, e esse não só homofobico declarado, mas também racista sexista e machista, defensor da tortura e pena de morte de forma higienista se inspira em presidentes da ditadura militar do Brasil o qual o mesmo e saudosista, chegou em oposição o Kit Anti-Homófobia distribui milhares de panfletos contra a Kit com teor altamente homofobico que ataca toda a população e LGBTT e o principais lideres do movimento no Brasil. E é não dever ser por isso que grupos Neo-nazista fizeram um manifesto (pacifico) e claro estavam em menor numero, Pró-Bolsonaro. 
       Mas as polêmicas com a relação ao kit na política não para por ai já de um tempo a bancada evangélica e católica do congresso vem pressionado o Mec e o governo contra tal medida. E decidiram pressiona ainda mais nos ultimas semanas (após uma “derrota” com a aprovação da união estável de casais do mesmo sexo do STF) parlamentares desses grupos decidiram apoiar investigações sobre o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci para esclarecer a multiplicação do seu patrimônio e de pedir uma CPI na área da educação por causa do projeto do material que seria distribuído às escolas para promover a diversidade caso o kit não fosse suspenso.
        Coincidentemente com a pressão da bancada cristã a presidente Dilma Rousseff que ano passado em sua campanha presidencial sofreu dura criticas de grupos cristão por se posicionar a favor do aborto e casamento homoafetivo, depois de se encontrar com a bancada evangélica e de ver trechos dos vídeos, a presidente decidiu suspender a distribuição do material. E afirmou que “O governo defende a educação e também a luta contra práticas homofóbicas. E ainda disse Não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opções sexuais”. E coincidentemente por um caso ao conseguir a suspensão do kit anti-homofobia, as bancadas evangélica e católica deixaram de pedir a convocação de Palocci e recuaram na abertura de uma CPI da educação. O ministro Carvalho, no entanto, discorda da versão de um acordo com os parlamentares envolvendo o caso de Palocci: "Não tem toma lá, dá cá", disse 
        Então o que eu posso concluir com este Kit contra a Homofobia sobre a educação neste país? O que virou as políticas educacionais? Uma fera? Para que chantagistas possam negociar que suas crianças não virem gays ao verem os vídeos contra homofobia? Sim por que isso que eles alegam, o que engraçado que com tantos de vídeos filmes, novelas, literatura e em fim com romance, sexo, erotismo e pornografia heterossexual a população LGBTT não viraram hetero. A questão não e de preservar os “nossos filhos” da pedofilia que eles defendem que Kit aumentaria, a questão e outra, não e que eles não estão aberto ao debate sobre homofobia, pois para eles nao existe debate, pois isso não e relevante em pais em que a se mata 250 homossexuais por ter uma orientação sexual diferente onde a cada dia vemos aumentar a violências contra essa população. E porque a simples discursão na escola publica sobre o tema os ameaça tanto?
        O que ele são? Ala conservadora elitista, cristã com princípios e morais da família. O que esta jogo ele manterem uma estrutura de poder heteronormatizadora em que o homem e o centro, essas questões não atingem somente os LGBTT o mesmo principio da homofobia para mim bem claro e o mesmo do homem que bate na mulher, mostrar seu poder e força. E para isso não e permitido debate, eles tem que manter estrutura milenar patriarcal machista bíblica, a final e a verdade, para eles e deve ser para todos e não vão medir esforços para isso. Agora estão se usando de chantagem barata moedas de troca. Pois afinal estamos em um Estado pseudo-laico, onde se ver as sombras da intolerância religiosa vindo do medievo e o controle sobre a forma de pensar assim como na ditadura militar. 
        Logo eles que dizem que os movimentos LGBTT estão implementar uma ditadura Gay, vão colocar uma mordaça neles e olha tadinhos não vão poder exercer sua liberdade de expressão de serem homofobicos, vão junta a mesma latrina de racistas e neo-nazista que não podem ser racista legalmente. 
        Bom era isso que tinha para dizer desculpa minha franqueza, exaltação e eu acredito que este debate só esta começando e ainda vai vir muita coisa, mas também toda vez que a sociedade da passo para frente parece que ela tende a dar outro para traz assim como foi o caso da escravidão em nosso pais havia os abolicionistas e os escravocratas e mesmo após a escravidão a população negra continua tendo problemas. E como futuros profissionais da educação ainda mais na área das ciências sociais temos de esta preparado ao debate sobre a homofobia, a diversidade sexual e um fato e como educadores teremos responsabilidades com sociedade já que será nos a educar. 

 Danilo Cardoso 

 Fontes:






quinta-feira, 26 de maio de 2011

Documentário " História das Coisas"

A “História das Coisas” é uma produção norte-americana, criada por Annie Leonard, o documentário utiliza a técnica da animação gráfica acompanhada da narrativa oral, para abordar e questionar temas como a exploração dos trabalhadores e dos bens naturais dos países pobres, a divisão internacional do trabalho, o intenso consumo de produtos industrializados, a geração de grandes quantidades de lixo, o papel dos meios de comunicação e da publicidade no estímulo ao consumo, a submissão dos governos e a formação de grandes corporações capitalistas. O documentário faz uma ampla discussão sobre as forças produtivas impostas pela sociedade através do capitalismo, que tem como objetivo despertar o consumismo, e assim exigindo cada vez mais que se extraia matéria prima dos recursos naturais para que se possam produzir infinidades de produtos industrializados para serem consumidos. Portanto nesse sistema, cada passo interage com um mundo cuja sociedade, cultura, economia e meio-ambiente esbarram em limites. O sistema de extração, produção, consumo e lixo de acordo com o documentário é um sistema em crise, pois se trata de um sistema linear que não atende as necessidades do nosso planeta que tem como característica principal ser “finito”. A extração é o primeiro limite enfrentado, pois devido ao grande aumento da exploração da matéria-prima os recursos naturais vão limitando-se, fazendo com que os grandes polos industriais do planeta migrem para países mais pobres para poder explorar dos seus bens naturais e da mão-de-obra barata. Só nas últimas décadas foram consumidos 33% de todos os recursos naturais do planeta, 80% das florestas naturais do planeta foram dizimadas, só na Amazônia 2000 árvores são destruídas por minuto, um número assustador. Na produção onde essa matéria-prima é utilizada juntamente com energia para produzir produtos contaminados com tóxicos, há mais de 100.000 químicos sintéticos existentes e lançados no meio natural, na grande maioria são desconhecidos os impactos totais na saúde e no meio ambiente. É na fase da produção que fica mais nítida a divisão internacional do trabalho e a exploração da mão-de-obra barata e qualificada. Na fase da distribuição toda essa mercadoria é exposta ao consumidor a um valor resultante da exteriorização dos custos. O coração desse sistema, o motor gerador, é o consumismo ou ritmo de consumo, onde 99% dos produtos que percorrem o sistema são transformados em lixo, e só apenas 1% dos produtos consumidos serão reutilizados. Nesse documentário são apresentados conceitos como obsolescência planejada, que é a criação de produtos feitos para durar pouco e aumentar o consumo, e de obsolescência perceptiva que é construção da ideia de que as pessoas devem acompanhar as novidades do mercado, comprar e usar os novos produtos para serem valorizadas na sociedade. A moda é um exemplo de obsolescência perceptiva, onde sentimos a necessidade de consumir somente os produtos ditados pela moda. A mídia e a publicidade é a grande manipuladora nesse processo de consumo desordenado. Com o aceleramento do consumo, há o aumento do lixo, nos Estados Unidos cada americano produz em média 2kg de lixo por dia, aí então nos perguntamos, para onde vai todo esse lixo? As formas mais comuns para se tratar esse lixo é a incineração, que é a queima desse lixo, e tem como vantagem a diminuição de volume, porém tem como desvantagem a produção de dioxina, a fonte mais tóxica produzida pelo homem. A segunda forma são os aterros sanitários, trata-se de um processo para a disposição de resíduos sólidos no solo, esse processo é responsável pela grande parte da contaminação dos solos e do lençol freático do nosso planeta. O documentário mostra que a maneira mais prática de se alterar o sistema atual é através da conscientização por meio das pessoas e das indústrias. Porém é muito complicado alterar esse processo de consumismo e falar sobre conscientização onde todos estão condicionados à consumir cada vez mais. Mas é algo que todos devem refletir, e procurar ser mais consciente, para diminuirmos os impactos sociais e ambientais principalmente! Tenho certeza que ao final desse documentário você terá uma outra visão sobre o assunto.O link do documentário é o seguinte: http://www.megaupload.com/?d=K24YY9Z9. (LADY TATIANE)

"Kit Gay" : Preconceito x Conceito

"Companheiros e Companheiras":

Abaixo, alguns links relacionados aos debates "políticos" sobre o "Kit Gay":

http://www.youtube.com/watch?v=gNJKJLCPrT4
http://www.youtube.com/watch?v=D1Bkv70SEr8
http://www.youtube.com/watch?v=zAXJXUWWbUQ





O que fica de “obscuro” nesse processo todo de construção e de reconstrução de conceitos que giram em torno do discurso elaborado pelos 3 vídeos apresentados é o de tentar entender até que ponto que esse material está contribuindo para uma educação sexual na qual já é utilizada, e, portanto adequada a fins de salientar sobre a consciência de saúde pública, ou se esse material é conseqüência do que nós entendemos por banalização do sexo em um tipo de processo “moderno” e portanto, cool, ou até que ponto está ligado a um discurso sobre a pura decisão que implica o “ser ou não ser” de certo indivíduo, ou então uma luta de poderes...ou se implica na concepção de respeito as diferenças e principalmente contra a homofobia?

Ambos os discursos não explicam de forma mais lúcida do que um guerra de poderes e de discurso, tomando todos os textos que nós vimos com o professor Frank fica essa postagem extremamente polemista para que possamos discutir sobre as reais condições “modernas” que fomentam o processo de educação.



Roberta R. Goes.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

o maior problema da educação está na gestão!

Disciplina dá a escola de Goiás nível de países desenvolvidos
O JN no Ar visitou as duas escolas de Goiânia com o pior e o melhor desempenho no Ideb no município. A mais simples obteve a maior média entre todas as visitadas pela blitz até agora: 7,1.


Caros colegas! Certamente todos vocês assistiram essa reportagem veiculada pelo jornal nacional do último dia 19 sobre as escolas goianienses com maior e menor média no IDEB, onde podemos observar que em uma escola com melhores instalações físicas e com professores com salários um pouco maiores os alunos obtiveram a menor nota e na outra com instalações inferiores e professores com salários menores observamos um melhor rendimento e aproveitamento dos mesmos. O que me leva a concluir que o problema está na má qualificação ou até no descaso da gestão.

Maria Aparecida

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Adoção de livro de português causa polêmica, comentando..

Oi, Dilma.


Tentei comentar, mas os links não vão..então coloquei aqui.

Não acredito que a língua portuguesa padrão tenha maior rigor, mais que é uma variante do continuum que é o português. Desde o início dessa discussão li textos de vários autores (todos homens) criticando, muito o livro, com argumentação semelhantes as dos Sérgio Nogueira:“ não se vai a escola para aprender falar errado, pois isso já sabemos”, “ “não vamos a escola para aprender o que podemos aprender sozinhos”. Se aprendemos, aprendemos com alguém, com a família, com pessoas de convivência de várias instituições, com as professoras e professores enquanto dão aulas, ou seja, aprendemos em contexto amplos de repasse de ensino, ou agora só a escola faz isso - transmite conhecimento -? Um dos textos que chegou até mim, foi publicado na veja, tem um link sobre a discutida parte do livro, vai em anexo só a página que traz o exemplo tão “aclamado” para vocês verem do que se trata. 

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/files/2011/05/livro-didatico2.jpg


Gostei da ideia do livro, e queria lembrar que questões sobre língua, ou quais vertentes falar de uma língua, quais línguas falar, são construções sociais regidas por imposições sociais, políticas, economicas, éticas... As críticas sobre o livro estariam em torno de: “ não temos produção de conhecimento válida em pessoas pobres” ? A língua culta foi uma grande conquista? Pode ser, mas foi uma grande imposição também, e a não standartização dela também vai ser, e para grupos diferentes.

Não tenho dúvidas de que podemos ver esse livro no sentido de uma luta contra-hegemonica. Se o MEC, que é a instituição mor, deu seu parecer positivo, eu fico feliz, e se agora vão contestar a legitimidade do MEC, que seja. Não foram os populares, os indígenas..que pediram um Estado-nação regulador de suas vidas. Agora vão querer mudar as suas próprias regras só por que estamos as jogando contra eles?

Vai em anexo um texto interessante sobre tudo isso:


A batalha das línguas na guerra das culturas


Elismênnia

domingo, 22 de maio de 2011

O depoimento da professora Amanda Gurgel e seus resultados: a força da grande rede


Nessa última semana esse vídeo se tornou um viral (algo que espalha rápido na internet) em vários blogs, páginas de notícias, grandes portais, etc. O discurso da professora Amanda Gurgel, professora da rede pública do estado do Rio Grande do Norte, tomou proporções elevadas, que fizeram com que a professora viesse a participar no domingo (22/05) do programa Domingão do Faustão, que é uma das principais atrações da rede de maior proporção do país.
O discurso caloroso da professora, trás como principal tema, a condição de serviço da classe dos professores, falta de material, falta de transporte coletivo digno, falta de alimentação, precarização do salário, más condições físicas das escolas públicas entre outros assuntos.
Mais o que eu venho também abordar aqui é a força da internet, que na minha opinião, nunca a sociedade teve acesso ao veículo de informação tão rápido e interativo como a grande rede. Muitos blogs são criticados (principalmente os blogs de humor, que são os mais acessados da grande rede), pela forma vazia de transmitir opinião, ou pela forma enviesada de informação, se fecharam com o único propósito de promover o vídeo com o discurso da docente.
Outro ponto importante a ser ressaltado é a importância que a sociedade dá para educação, não sei se a mesma, de uma forma total, não participa da educação ou se interessa por ela, pelo fato de ter pouco acesso a informação da realidade da educação de forma contundente (sempre escutam a respeito do descaso com a educação, mais não é instruída para ajudar a melhorar). A fragilidade da educação deve ser discutida na escola, para que os estudantes passem a debater o que levou a educação a chegar nesse desencantamento.

João Augusto Silveira Ferreira

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Adoção de livro de portugues pelo MEC causa polêmica


Temos visto reportagens que denunciam a realidade da escola pública. Esta do dia 17/05 se junta as outras inclusive já postadas no blog sobre o escandalo da merenda.
Esta agora trata da adoção de livro de portugues que está sendo considerado como um retrocesso para a aprendizagem. Sabemos que a língua escrita , formal, tem maior rigor e constitui a forma cobrada em testes de adimição de emprego e exames de vestibular. Como a escola particular hoje é vista como a que prepara para o vestibular, nela o portugues formal permanece. Então será mais uma investida para distanciar o ensino do público e do privado? E quanto isso é associado com a perspectiva de classe? Qual  o peso, o que podemos esperar dos resultados? Será um "ganho", como uma liberdade maior de expressão, ou um empobrecimento mesmo? Será uma fuga do sistema de dominação , um avanço contra a reprodução?...
 Vejam a matéria:


Dilma Maria

quarta-feira, 18 de maio de 2011

JORNAL UFG


“... enquanto alguns foram à Lua, muitos nunca foram à escola”
20/04/2011

Professora da Faculdade de Educação fala sobre letramento digital e aprendizagem em rede
Gosto muito de ler o jornal da UFG, no nº 44 de abril de 2011, entre as várias matérias publicadas encontram-se três que dizem respeito à educação, as três são muito interessantes. A primeira tem como título: Questões para a aprendizagem em rede, da professora Débora Duran da Faculdade de Educação. Ela “busca compreender de que forma ocorre a apropriação do conhecimento em tempos de alto desenvolvimento tecnológico.”  Ela aborda um pouco sobre a EAD (Educação a Distancia), sua importância e de como esta ainda constitui um desafio altamente complexo para a educação.  Fala sobre a TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) como estas tem atuado sobre a sociedade, mas que não podem garantir o pleno desenvolvimento cognitivo e social do individuo. Gostei muito da maneira como ela coloca todo esse desenvolvimento e de como a ID ( Inclusão Digital) além da suposta democratização que traz em seu bojo possui na verdade outros interesses mais fortes.
O texto nos faz refletir sobre o fato de que mais uma vez a formação de cidadãos críticos passa não só pela educação formal, pois como sabemos esta é muito manipulada, mas passa também pela educação não formal, aquela do dia a dia, em nossos encontros, conversas, discussões, questionamentos e etc.,  onde ocorre o “agir comunicativo” de Habermans.
Fica aqui a dica para a leitura de todo o texto da entrevista que pode ser lido na integra no www.jornalufgonline.ufg.br
Sandra Rancan

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Uma concepção acadêmica á respeito das ciências humanas.

Esta semana no jornal nacional está passando uma série sobre educação, cada dia aborta um aspecto, e ontem foi falado sobre a profissão do professor, e no final da série foi monstrado uma tabela com a porcentagem de como tem diminuido profissionais que atuam na área da educação em especial na licenciatura.
Será porque essa porcentagem tem caído consideravelmente?
Porque professores ganham mal? Porque a realidade na atuação da profissão é uma tarefa árdua? Porque não se tem o reconhecimento devido?
Talvez a resposta esteja propriamente na formação desses profissionais, onde já encontram na sua formação dificuldades que os desamine! Pois dentro do mundo acadêmico esses cursos são vistos como coloca  DEMO eles são vistos como restos do vestibular. Será que a opção por tais cursos foi uma escolha espontânea?
Pois bem, de todos esses questionamentos feitos a única certeza que tenho é que através da educação podemos exercer de fato a discutibilidade, penso aqui a escola como a antiga ágora, que nada mais era a praça grega, que servia para comercializar produtos mas alem disso seu foco maior prevaleceu as discussões e as trocas de ideia que ali ocorria, assim as experiências filosóficas ganharam um caráter dialético, assim eu espero que mesmo tendo no espaço escolar todas limitações não perca seu caráter transformador, que antes de tudo que os profissionais que trabalham nessa área tenha consciência disso.

Thaís Santos

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Merenda Escolar - Parte II: A questão é Política.


A Questão é Política
Proposta para o engajamento prático-teorico.

Desculpem-me a insistência, mas necessito compartilhar com meus colegas a carência, que ainda sinto principalmente de nós graduandos. Carências de debate e, mais que isso, de atitude, de ação sobre o cotidiano. Afinal, estamos trilhando o caminho para atuarmos como “cientistas sociais”, e tenho a firme convicção de que tão importante quanto a teoria, é  a prática.
Pouco se discute sobre a realidade fora das salas de aula - concordam? Acho que o individualismo, o tempo exíguo e as ambições pessoais nos separam e por isso nos entorpecem quanto à necessidade de se pensar sobre os inúmeros problemas que, de fato e não de teoria, afligem a sociedade lá fora. Não estou negando a teoria: estou dizendo que a teoria por si só não é transformadora: pertence ao território da contemplação e não da ação. A junção das duas dimensões é que possibilita transformar a realidade. Temos teoria de mais e prática de menos.
Ou talvez eu realmente seja ingênua em acreditar que nas Ciências Sociais eu possa encontrar respostas para “fazer a diferença” em prol de um mundo melhor, já que esta se propõem a ser a flor das ciências da humanidade. Pode ser, contudo, que eu seja muito passional e queira extrapolar os limites convencionais do conhecimento, que se entende apenas como locus de reflexão e não de engajamento.  
Bom, não sei.
Fico muito indignada com a inércia da maioria dos estudantes. Não faz sentido que pessoas que se dedicam ao estudo da sociedade não tenham curiosidade e até paixão pela política. Somos afortunados pelo valoroso e constante contato com o conhecimento, em busca da verdade. Temos o melhor em termos de quantidade e qualidade; acesso ao conhecimento científico que por sorte nos é apresentado de forma diversificada, tendo em vista as diversas orientações teórico-metodológicas oferecidas pelos nossos mestres e disponíveis nos livros.
E, mesmo assim, enquanto acadêmicos poucos produzimos ou nos envolvemos com a política. Importante: não me refiro à política stritu sensu, partidarizada, mas sobretudo à política maior, que diz respeito a valores, a princípios e ao engajamento nas grandes causas humanas. Creio que isso é muito importante para transformar o mundo. Para tanto, gostaria de propor aos colegas de classe  uma construção em conjunto de temas cotidianos referentes à escola e à educação, um daqueles espaços de transformação que demandam tal engajamento. 

Cíntia Dias

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Merenda escolar


Essa é a realidade das nossas escolas públicas!

Ontem foi noticiário do Fantástico este vídeo. Gostaria de dividir com turma e abrir para possíveis comentários.

Cíntia Dias

Desabafo e Alívio!


Confesso que as últimas semanas tem sido complicadas pra mim. Comecei a trabalhar com Saviani tem pouco mais de dois meses, e me regozijava com tudo o que lia. Incorporei tudo o que ele dizia da possibilidade de uma pedagogia que desenvolvesse nos estudantes uma consciência diferenciada, crítica e transformadora... E realmente me encontrei (ingenuamente).


Mas... poucos dias depois de me encontrar em Saviani, recebi a indicação da leitura de Bourdieu e Passeron pela disciplina de Teoria Social 1. Admito que li a primeira página e parei.  Poucos parágrafos já me bastaram para ficar com uma enorme pulga atrás da orelha. Como aquele cara (que é um dos maiores autores da nossa área, portanto difícil de ser ignorado) vêm destruir toda a minha alegria, toda a minha esperança para a educação?
Dei alguns dias, depois respirei fundo e comecei a ler novamente, disposta a, se for preciso, destruir o que eu havia construído com a pedagogia de Saviani, e se preciso, construir novas concepções (frias e cinzas) com base na discussão de Bourdieu.

Ao longo da leitura realmente fui percebendo o quanto Bourdieu consegue fazer uma análise concreta do que é a nossa sociedade e o nosso sistema pedagógico. Ele já tinha previsto até que nós, futuros professores, acreditaríamos que faríamos a diferença no sistema de ensino, sem perceber que no fundo estaríamos reproduzindo todo o arbitrário cultural dominante.
Tudo o que ele disse naquele livro faz completo sentido, e é inevitável repensar todas as nossas concepções de vida, de sociedade, de indivíduos. Depois, para dar um empurrãozinho na minha desilusão, começamos a ler Foucault, que também fez uma leitura muito real do nosso sistema, de como a disciplina estava em todos os lados nos acomodando, nos conformando, sem que percebêssemos, e como o sistema educacional, nas suas didáticas, em seus livros, na arquitetura das escolas, utilizava destes artefatos para impor sutilmente uma ordem social.
Ao fim disso tudo eu já pensava em refazer minha pesquisa, mudar todo o tema, e começar do zero. Até que surgiu uma pontinho de esperança.

Por causa de um resumo a ser feito pela disciplina de Estágio 3, tive que ler novamente o livro sobre a Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani. E nessa leitura, agora menos focada em encontrar partes que comprovassem minha pesquisa e mais ocupada em tentar salvar o que ainda restava dela, me atentei para partes que antes tinham passado batido.

Ao reler Saviani, tendo agora lido A Reprodução, tudo o que ele disse das teorias "crítico-reprodutivistas" ganhou novas faces. O que me incomodava realmente em Bourdieu e Foucault é exímia análise do concreto, do sistema tal qual é, e a inexistência de propostas, de saídas, de algo que possa mudar essa realidade. E Saviani admite tudo o que eles disseram, mas a sua grande diferença é não parar por aí.
Admitir que toda ação pedagógica é uma violência simbólica, etc., não muda que o sistema em si possui brechas que levariam à sua própria destruição, não impossibilita de admitir o caráter contraditório do problema educacional, de assumir a movimentação histórica que existe de para superação do sistema atual, que está implícita em suas entranhas. Ele nos diz que a educação deve ser considerada como determinada pela sociedade em ação recíproca, ou seja, significa que educação também interfere sobre a sociedade, 
podendo contribuir para a sua transformação.

Essa afirmação já nos abre novas portas para o entendimento da educação e para o reconhecimento de como fica o nosso papel neste processo. Mas essas duas leituras foram simplesmente essenciais para compreendermos o funcionamento do sistema educacional e, assim, conseguir enxergar o que podemos fazer e o que precisa ser feito se quisermos que a nossa atuação como professores não seja uma ação reprodutora.

Desculpem o desabafo e o tamanho do texto, mas eu estive curiosa para saber se, durante a leitura de Bourdieu e Foucault, fui só eu que estive a beira de uma "crise existencial". Espero que nosso professor também nos ajude a desfazer os nós que foram feitos com estas duas últimas leituras, nos indicando outras boas leituras como estas. Aos que possuem outras visões a respeito da pedagogia de Saviani, peço que comentem e levantem o debate, porquê meu pensamento, inevitávelmente, ainda está em contrução.


Larissa Messias

sábado, 7 de maio de 2011

Esquentando as idéias

Quero compartilhar com vocês dois textos que de certo modo abordam assuntos que temos estudado em Bourdieu e Demerval Saviane, (inclusive o texto de Newton Duarte : Ontologia do ser Social ). A minha intenção é instigar a reflexão e talvez na troca de idéias, ampliar nosso campo de discussão, gerando mais problematizações.

O primeiro deles  consiste de fragmentos da homilia de Bento XVI por ocasião da Beatificação de João Paulo II no último  1º de maio.

(João PauloII)... abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade.

...Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. ...ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.


O outro texto é de um professor de Filosofia da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas: “É preciso aproximar mais” que convido a leitura no link:Pedagogia Histórico-Crítica: É Preciso Aproximar Mais

Ambos tocam num mesmo ponto que é o materialismo histórico e diáletico e seu legado no campo da educação e das idéias de mundo em geral. Eles, de certo modo, fazem uma desconstrução deste, cada um dos textos sugeridos de modo distinto.

Chamo atenção para o Trabalho pedagógico e o papel que exerce na produção de hábitus. Também para a questão do determinismo, (inevitabilidade), no que se refere a superação do sistema de produção capitalista.

Escolhi estes dois textos justamente por se tratarem de críticas a teoria marxista, como já disse inicialmente para ampliar nosso campo de discussão teórica.

Me lembro de ver constantemente caricaturas de João Paulo II em charges nas apostila de sociologia. Entendo que aparece fortemente na história dos anos de seu pontificado. Assim também Demerval Saviani, leitura obrigatória para a área da educação.

São inflexões possíveis e que aparecem na cultura popular. E podemos ser questionados por colegas de trabalho, como futuros professores, e professoras, ou mesmo na sala de aula.  Que no fundo esperam de nós algo sólido, ou pelo menos deveria ser nossa expressão,  e não como as vezes ocorre, de ser pelo contrário, fruto de "achismos"ou  um pensamento particular.



Dilma Maria


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Quem tem medo de letramento?

 Já ouviram falar em letramento? Referente aos usos da escrita e da leitura como instrumentos de interação social, é mais comum termos reflexão e produção de conhecimento sobre letramento na linguística, no entanto letramento não deixa de ser um dos elementos básicos para qualquer contexto em sala de aula.

 Que estratégias usar para dar aulas? Que textos usar? O que pretendemos com o material em sala e que discussões poderemos levantar com base nesse material? São questões não só de que autoras e autores usar, mas questões de letramento, sobre os domínios sobre escritas, e o domínio que as pessoas tem sobre as discussões que colocaremos. O artigo da Nelly sobre letramento, está focado em educação para jovens e adultos, mas vale lembrar que em qualquer sala de aula de ensino público ou privado, zona urbana/rural, teremos pessoas com leituras e acessos diferentes, e podemos nos atentar para algumas dicas que ajudariam a dar aulas que envolvessem as diferenças.

 Uma questão de metodologias então? Se sim, uma das propostas que tivemos contanto até hoje, em nossas aulas na licenciautura em termos de estágio, foi; partir das pessoas, dos conhecimentos que elas trazem, e compartilhar propostas e conhecimentos que elas desconheçam. Mas como fazer isso? Uma das respostas, para mim, está formulada no que se chama de pedagogia do oprimido, e na pedagogia da oprimida; metodologias feministas de práticas de ensino. No texto abaixo, Nelly traz algumas discussões interessantes sobre alguns dos apontamentos que fiz aqui, apontamentos sobre propostas de letramento que ajudam a pensar em apontamentos para metodologias de ensino.



Elismênnia

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vídeo das PPPs

Este vídeo é um desenho das Parcerias Público Privado - PPPs, algo muito atual, apesar de serem poucas as discussões na sociedade... Discussões sobre as PPPs fazem parte do cenário Político Goiano. Transformações impostas a sociedade sem consulta previa e mais sem transparência.
E nos cientistas sociais! será que podemos opinar sobre o assunto? o que podemos fazer? ou ainda o que devemos fazer? Enquanto intelectual ( no sentido proposto em Gramsci) qual seria o nosso papel para com a nossa sociedade?


http://youtu.be/DRJabe-QrsM

Cíntia Dias

Video PPPs

Este vídeo é um desenho das Parcerias Público Privado - PPPs, algo muito atual, apesar de serem poucas as discussões na sociedade... Discussões sobre as PPPs fazem parte do cenário Político Goiano. Transformações impostas a sociedade sem consulta previa e mais sem transparência.
E nos cientistas sociais! será que podemos opinar sobre o assunto? o que podemos fazer? ou ainda o que devemos fazer? Enquanto intelectual ( no sentido proposto em Gramsci) qual seria o nosso papel para com a nossa sociedade?


http://www.esquerda.net/dossier/bê-á-bá-das-parcerias-público-privadas

terça-feira, 19 de abril de 2011

Noções de Pierre Bourdieu e Gramsci

Noções de Pierre Bourdieu sobre:

Violência simbólica = imposição arbitrária que, no entanto, é apresentada àquele que sofre a violência de modo dissimulado, que oculta as relações de força que estão na base de seu poder.
Ação pedagógica = é uma violência simbólica porque impõe, por um poder arbitrário, um determinado arbitrário cultural.
Arbitrário cultural = concepção cultural dos grupos e classes dominantes, que é imposta a toda a sociedade por meio do sistema de ensino. Tal imposição não aparece jamais em sua verdade inteira e a pedagogia nunca se realiza enquanto pedagogia, pois se limita à INCULCAÇÃO de valores e normas.

A ação pedagógica implica num trabalho pedagógico, sendo como um trabalho de INCULCAÇÃO de um arbitrário de princípios culturais que são impostos por um sistema de ensino de modo que, mesmo depois de terminada sua fase de formação escolar, ele os tenha incorporado aos seus próprios valores e seja capaz de reproduzi-los na vida e transmiti-los aos outros – Bourdieu afirma isto é adquirido num HABITUS. Uma vez que o arbitrário cultural é inculcado ao habitus do professor, o trabalho pedagógico reproduz as mesmas condições sociais de dominação de determinados grupos sobre outros que deram origem àqueles valores dominantes. O que explica, no pensamento de Bourdieu, a desigualdade que está na base do processo de seleção escolar?
Um sistema de ensino institucionalizado que visa realizar de modo organizado e sistemático a inculcação de valores dominantes reproduzindo as condições de dominação social que estão por trás de sua ação pedagógica. Bourdieu apresenta exemplo das condições de classe de origem dos alunos que entram no sistema de ensino francês determinam tanto a probabilidade de passagem ao nível escolar seguinte, quanto, ainda, o tipo de estabelecimento de ensino ao qual ele tem acesso, esta situação se reproduz, do ensino básico ao médio e ao superior e determina também, no final das contas, a “condição de classe de chagada”, deste aluno, isto é, o tipo de habitus que adquiriu, o “capital social” ao qual teve acesso e, em especial, a posição na hierarquia econômica e social a que chegou. (P.74).

Já em Gramsci para neutralizar as diferenças, devidos à procedência social, deviam ser criados serviços pré-escolares. A escola deveria ser única, estabelecendo-se uma primeira fase com o objetivo de formar uma cultura geral que harmonizasse o trabalho intelectual e o manual. Na fase seguinte, prevaleceria a participação do adolescente, fomentando-se a criatividade, a autodisciplina e a autonomia. Depois viria a fase da especialização. Nesse processo tornava-se fundamental o papel do professor que devia preparar-se para ser dirigente e intelectual. O desenvolvimento do Estado comunista se ligava intimamente ao da escola comunista: a jovem geração se educaria na prática da disciplina social, para que a realidade comunista se tornasse um fato. O advento da escola unitária significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial na apenas na escola, mas em toda a vida social. O princípio unitário, por isso, refletir-se-á em todos os organismos de cultura, transformando-se e emprestando-lhes um novo conteúdo. Gramsci define duas categorias de intelectuais: o orgânico, proveniente da classe social que o gerou, tornando-se seu especialista, organizador e homogeneizador e o tradicional que acredita estar desvinculado das classes sociais, os que nascem numa determinada classe e cristalizam-se, tornando-se casta, como exemplo são mais típico Gramsci cita os clérigos (cf 1989, p. 23), hoje podemos dizer que são os militares, professores universitários e etc... Os intelectuais têm a função de unificar os conceitos para criação de uma nova cultura, que não se reduz apenas a formação de uma vontade coletiva, capaz de adquirir o poder do Estado, mas também a difusão de uma nova concepção de mundo e de comportamento. Nessa empreitada, torna-se fundamental o papel das instituições privadas da sociedade civil como a igreja, escola, sindicatos, jornais, família e outros, como entidades concretizadoras de uma nova vontade e moral social. Gramsci diferencia o intelectual urbano do rural. Enquanto os intelectuais urbanos ascendem socialmente, confundindo-se com suas classes, os rurais, na maioria tradicionais, estão ligados à massa social campesina e pequeno-burguesa, posta em movimento pelo sistema capitalista. Estes ainda exercem uma forte influência nas camadas operárias, na medida em que se apresentam como modelo de ascensão social, também cumprem um papel político-social, ao mediar a relação entre massa e o espaço político local. Os intelectuais urbanos como técnicos de fábricas não exercem influência política na massa, ao contrário, sofrem influência destas pelos seus intelectuais orgânicos.

VANIA LOPES DA SILVA BORGES