quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ou o sal não salga ou...

Ou o sal não salga ou...
SÉRGIO CARRARA
O GLOBO - 07/06/11

Frente a pânicos morais todo cuidado é pouco. Qualquer movimento para sair deles pode nos empurrar mais ao fundo. Para escapar, é crucial agarrar-se aos fatos e à razão, colocando questões diferentes das que são formuladas pelos interessados em produzi-lo ou pelos que, nele, permanecem presos.

Frente ao pânico moral que cercou o kit anti-homofobia do Ministério da Educação, a ação do governo foi errática e confusa. Intempestivamente, Dilma mandou "suspendê-lo", em vez de dizer simplesmente que confiava no discernimento da equipe do ministério quanto ao seu teor e à sua utilização. Baseada no que viu na tevê, afirmou que o material "fazia propaganda de opções sexuais" e que isso seria inaceitável. Parece que se referia a uma frase em que um adolescente chegava à conclusão de que teria maiores chances de envolver-se com alguém, pois se sentia atraído igualmente por rapazes e moças. Colocando bissexuais em posição privilegiada em relação a homossexuais e a heterossexuais, mais limitados em suas "opções" (para usar a expressão da presidente), a ideia pode até ser considerada infeliz. Mas o que haveria de tão escandaloso nessa quase risível fabulação de um adolescente?

Se "ou o sal não salga ou a terra não se deixa salgar...", podemos dizer que ou todo esse imbróglio esconde "tenebrosas transações" (como muitos acreditam), ou revela certa concepção sobre os considerados sexualmente diferentes que urge submeter à crítica. O kit que o ministério desenvolveu aborda a homofobia sem vitimizar pessoas LGBT, apresentando sua diferença como algo positivo. Quando afirma que o governo "combate a homofobia, mas não propagandeia opções sexuais", a presidente parece dizer que, ao não tratar a homossexualidade como um "problema", o material a incentiva. Não estaríamos frente à tradução laica do mantra esquizofrenizante repetido ad nauseam por pastores e padres, segundo o qual se deve "amar o pecador, mas não o pecado"? Ou "acolher homossexuais, mas não a homossexualidade"?

Caso não seja isso, seria aconselhável Dilma vir a público dizer que os que afirmam ser a homossexualidade pecado e negam os direitos de cidadania a homens e mulheres homossexuais estão "propagandeando" a heterossexualidade e que isso é também inaceitável. Deve esclarecer que seu governo não combate apenas a barbárie homofóbica, mas defende a completa igualdade de direitos, fazendo suas as palavras dos juízes do STF sobre o estatuto das uniões homoafetivas. Sob pena de se misturar aos que consideram a homossexualidade inferior e deram início a toda essa confusão, deve deixar claro que os motivos que a fazem condenar o material produzido pelo ministério não são iguais aos de bolsonaros e garotinhos.

Interessante crítica feita pelo Antropólogo Sérgio Carrara sobre o kit anti-homofobia, fala sobre a confusão que isso casou, e o não esclarecimento da Presidente Dilma ante a retirada do kit anti-homofobia.

Sara

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!


Se É jovem, não tem experiência.
Se É velho, está superado.
Se Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Se Fala em voz alta, vive gritando.
Se Não conversa, é um desligado.
Se Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Se Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Se Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Se Não brinca com a turma, é um chato.
Se Chama a atenção, é um grosso.
Se Não chama a atenção, não sabe se impor.
Se A prova é longa, não dá tempo.
Se A prova é curta, tira as chances do aluno.
Se Escreve muito, não explica.
Se Explica muito, o caderno não tem nada.
Se Fala corretamente, ninguém entende.
Se Fala em tom normal, ninguém escuta.
Se Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Se Precisa faltar, é um 'turista'.
Se Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos
Se Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Se Exige, é rude.
Se Elogia, é debochado.
Se O aluno é reprovado, é perseguição.
Se O aluno é aprovado, deu 'mole'.
                                                             

                                                               Jô Soares



Ninguém melhor que o Jô Soares para descrever de forma cômica a profunda crise existencial de um professor, todas as dúvidas e agitações emocionais perante a incógnita de ser aceito ou não, de ser querido ou não, de ser admirado ou não por seus alunos.

Mas uma coisa é fato,  se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele ! 





LADY TATIANE

 
                                                 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Seminário UFGinclui x inclusão : primeiro ato

Em um tópico sobre universidades para quê? Universidades para quem? Vamos, falar sobre cotas, sobre UFGInclui, um programa adotado a dois anos que dispõe 20% de vagas dos cursos de graduação da UFG para pessoas negras/os de escolas públicas 10%, e 10% para pessoas de escola pública, no programa também estão inclusos, em percentagem menor, pessoas surdas, para letras/libras, indígenas e quilombolas.  Nos dias 12 e 13 de maio aconteceu um Seminário na UFG sobre como estão sendo os resultados pós adoção das cotas. 

Vimos participações muito interessantes como a de um estudante de graduação que levantou questões como; estão tirando as possibilidades de bolsa das pessoas que entraram pelo sistema universal, eles tem mais privilégios, eu me virei sozinho e tinha as mesmas condições que eles porque eles não podem se virar? -Vocês sabem as respostas?

No primeiro dia participamos da mesa redonda com Marcelo Henrique Romano Tragtenberg; que levantou em estatísticas, gráficos e tabelas, questões como; o Brasil não tem um sistema institucional oficial segregacionista, mas nossos dados sobre onde e como estão as pessoas negras são comparáveis aos países que tem; ampliação de vagas - como diria Gramisc e Bourdieu - não muda a cara branca socio-economica alta das pessoas que frequentam as universidades; em famílias interraciais irmãs/os negras tem uma escolaridade menor que as brancas/os.  Façamos uma política de cotas então.

O último senso do IBGE trouxe que Goiás tem 50% de população negra, onde estão essas pessoas? Com uma possibilidade de 10% para entrarem em cursos passaram a frequentar mais as faculdades da UFG, junto aos 10% de pessoas brancas de escolas públicas também. E sobre o estar nesse espaço, sabe qual foi a preocupação? Vão levar para baixo o nível de ensino? Vamos estudar como esses estudantes se inserem nas faculdades. As pesquisas realizadas nas faculdades dos cursos da UFG por comitês específicos mostraram que não há problemas em termos de notas e envolvimentos com atividades.

O incrível, ao falarmos de cotas é que no fim das contas, as pessoas se preocupam mais com o rendimento das pessoas que se inscrevem no sistema de cotas (vamos avaliar, né? De 0 a 10 !) do que com questões como a manutenção dessas e desses estudantes na instituição; será que há necessidade de recursos que viabilizem o estudo dessas pessoas, como transporte, alimentação... , se a faculdade dispõe de tais recursos (como é o caso da Bolsa Permanência e a Bolsa Alimentação), será que eles são suficientes e chegam a tod@s que precisam?  

Se quem vem da escola pública tem problemas com qualidade de ensino,  isso não significa dizer que tal fato se deve a falta de escolarização das pessoas. O ponto não é a capacidade cognitiva, mas sim o que está colocado na escola como cultura de valor, cultura e conhecimentos a serem ensinados oficialmente.

Comecemos então: o que cobram os vestibulares? “O vestibular simplesmente cobra aquilo que é ensinado na escola. Que escola? Respondam aí, quais são as escolas tidas como  “modelo educacional”? As escolas públicas? Com exceção dos institutos federais, as escolas públicas (municipais e estaduais) certamente que não se enquadram num modelo ideal de educação. Se as escolas públicas estão a margem, o que sobra (ou quais escolas sobram)? Ahhh! As escolas privadas, criadas e configuradas nos moldes de uma educação elitista, que ao longo dos anos nos submete aos símbolos e códigos de um mundo desconhecido; um mundo estranho do qual não fazemos parte, mas que ainda assim nos é cobrado como dívida. 

Resgatando Bourdieu, fazemos parte de um sistema educacional que, nos viola a todo tempo, e que se faz presente/eficaz  justamente por ser invisível aos olhos, aos sentidos. A escola não é neutra, imparcial, capaz de avaliar os sujeitos de forma “objetiva” (se é que isso existe). Ao contrário, a escola legitima e reproduz as desigualdades sociais favorecendo os que já se encontram em condições favoráveis e desfavorecendo aqueles que já estavam em “desvantagem” (e assim cristalizamos as diferenças). O currículo defendido pela escola, foi construído com base nas experiências e valores de uma sociedade específica. 
E essa mesma ladainha se repete no vestibular, que reproduz no processo seletivo, as mesmas formas de exclusão disseminadas na escola, mas que no entanto, não percebemos enquanto violência, atribuindo as faltas ao discurso do mérito e blá-blá-blá. Tá, depois de todo esse palavrório, voltemos a pensar nas dúvidas sobre acesso a universidade por cotas: estão tirando minhas possibilidades de bolsa, eles tem mais privilégios, eu me virei sozinho e tinha as mesmas condições que eles porque eles não podem se virar?

 

E aí me respondam, quem está tirando oportunidade de quê/quem? Isso existe? Por direitos jurídicos, legais, civis e de existência, não deveríamos nós, pessoas, de todas as cores, partes e formas, termos direito ao acesso assim como qualquer outr@? Universidades não são um direito? Não, não são.

Agora que constataram que essas pessoas não são um problema, não tem um problema, podemos pensar nos problemas da instituição? Parece existir ao mínimo, uma premissa de que escolas públicas não funcionam como deveriam funcionar, e se os estudantes que entraram aqui por um ponto de corte mais baixo do que aquele que deveriam entrar os problemas devem ser resolvidos localmente, ou seja, aqui na universidade. 


Quem forma o corpo docente que está nas escolas? A universidade. Se temos problemas como; as pessoas nem sabem que existe uma universidade pública; que podem se inscrever pelo programa UFGInclui. Se temos problemas com um gerenciamento do conhecimento - o cobrado no vestibular mesmo -, temos problemas nas faculdades que formam as pessoas para ministrarem aulas, temos problemas na formação desses sujeitos. O problema geral ao fim, nem é em termos de conhecimento, mas em termos de acesso. O problema que se tenta resolver, e se imagina externo, é interno e invisibilizado.

Vimos em toda essa discussão, um problema que enfrentamos pensando nossas práticas como futuras/os docentes; universidades são um direito para todas as pessoas que se interessarem por um curso? Universidades para quê? Universidades para quem? Universidades contra quem?

As universidades foram feitas para atender que população? Nós, mulheres de periferia, eu mulher negra da periferia, eu mulher branca da periferia, que estudamos em escolas de periferia, nunca tínhamos ouvido falar em universidade, faculdade, UFG e quando chegamos aqui, vimos que tínhamos que fazer e saber funções que não foram ensinadas / incentivadas nas nossas escolas, nas nossas vidas. Vimos que a universidade não foi feita para nós, e que poucas pessoas sabiam lidar com o fato de que nós não tínhamos problemas de cognição, mas problemas de acesso; em verdade nós não tínhamos problema nenhum; a universidade é que é feita por pessoas e de experiências que  não eram as nossas. 


Se o problemas das pessoas que entram por cotas não é a nota, podemos ver o que essas pessoas tem em termos de conhecimentos para adicionar esses conhecimentos as universidades? Podemos considerar os conhecimentos dessas pessoas, grupos, em termos de valor e não em termos de perda na qualidade? Agora que a universidade não é feita só de pessoas brancas com contas bancárias específicas, podemos pensar nas experiências das pessoas diversas; indígenas, surdas/os, negras/os de escolas públicas e brancas/os de escolas públicas, ou seja pessoas pobres, pessoas com corpos tratados de forma subalterna? 


Elismênnia e Michelle



sexta-feira, 10 de junho de 2011

A colega Sara Liz ressalta muito bem, quando diz que, a educação é um direito de todos. Pois é visando a transformação da sociedade que faz se com que aconteça essa compreensão. Segundo Saviani, o marginalizado não é propriamente o ignorante mas sim o "rejeitado" e é nesse sentido que a sociedade não pode se calar diante dessa violência simbólica que é deixar esses alunos a margem da sociedade. Acredito que, é a escola um instrumento capaz para a inclusão social.

Almerinda Aguiar.

A Educação: elemento central na formação do capital humano


             A educação é ponto central no debate sobre a formação do ser humano. É através da educação que o indivíduo irá adquirir os elementos básicos ao seu bem-estar, como por exemplo, uma visão mais ampla sobre as “coisas” que permeiam a vida cotidiana, bem como a possibilidade de inserção no mercado de trabalho, o trabalho entendido como forma a aumentar os recursos a serem adquiridos e assim suprir as necessidades dos indivíduos, como saúde e alimentação essencialmente.
             Contudo, o processo educativo brasileiro atravessa problemas quanto a sua qualidade. E isso contribui para que muitas crianças e jovens fiquem longe da escola, aumentando a desigualdade e a exclusão social. Alguns estudos sobre a educação ressaltam que os professores são, como recurso humano, fundamental para que a educação consiga melhores resultados. Um professor bem preparado poderá contribuir para a qualidade do ensino e o êxito dos alunos.
             Nesse sentido, alguns parâmetros devem ser seguidos para que a educação no país possa melhorar a qualidade e propiciar aos estudantes um capital social. Para tanto, um maior investimento na escola pública de qualidade, investimento na formação continuada de professores, bem como a correspondência salarial e um tratamento especial no que se refere à violência escolar são a priori elementos que poderão contribuir para uma escola de qualidade para todos.
             Assim, uma mudança no sistema escolar se faz necessária e urgente para que os estudantes possam usufruir dos benefícios do conhecimento, essencial a todo indivíduo independente de classe, gênero, etnia. E que todos possam adquirir seu real empoderamento e assim participar das decisões que permeiam a vida em sociedade.

Sandra Regina Alves

"O GRITO": As verdades ditas e não ditas sobre a realidade educacional em Goiás

O Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão exibiu uma série de reportagens sobre a questão educacional no Brasil. Este consistia em Sorteios de cidades - das quais expressavam uma realidade de desenvolvimento, ou seja, a capacidade de receber o avião da equipe de reporteres - no sorteio que consistia o estado de Goiás a cidade de Goiânia foi serteda para receber a tal equipe. 
Pois bem, após este breve resumo de um "espetáculo" sobre a verdade não dita sobre a realidade educacional do país - pois o fetiche dos números se expressa claramente neste tipo de reportagem -  foi encontrado aqui em Goiânia a escola que expressava um dos maiores índices do IDEB. Vejamos a verdade dos fatos, verdades estas que quem as diz está fadado a sofrer censura de um governo autoritário que é o nosso. Primeiramete o fetichismo dos múmeros não revela a realidade dos fatos, pois virou moda no país dizer que as verdades das coisas estão ditas nos números e isso não é verdade, basta fazer visitas, ou pesquisas qualitativas, tais quais foram feitas por nós, alunos do curso de licenciatura em ciências sociais da UFG, para ver o que os números não dizem. O fetichismo dos números se expressa em uma sociedade como a brasileira apenas por uma razão, mostrar para outros países uma falsa realidade, ou seja, encobrir o que no Brasil e em outros país "menos desenvolvidos" econômicamente uma realidade que não é dita nos múmeros. Encobrir que a realidade da má educação no país não é econômica e nem culpa dos paíse, o que é normal escutar em conversas informais, a culpa é de uma realidade da qual os brasileiros veem passando desde a década de 1930, a saber, um processo de modernização do qual foi imposta aos países subdesenvolvidos de lá para cá que consistia em impor de fora para dentro uma realidade de desenvolvimeto econômico sem que houvesse um plano de desenvolvimento social. O processo de desenvolvimento das sociedades ditas subdesenvolvidas deu se na forma de "artefatos prontos", ou seja, não houve como no processo europeu e norte americano, um desenvolvimento social para que os indivíduos inseridos na nova realidade de desenvolvimento acompanhasse esta realidade. Este fato expressava várias realidades no Brasil e em outra sociedades em desenvolvimento, a saber, a culpabilidade do indivíduo por seu fracasso e pior ainda, empurra estes para a margem da sociedade. 
É esta a realidade educacional do país, a culpabilidade do indivíduo por seu fracasso e a "honra ao mérito" a poucos previlegiados(as) que se acham os donos da da verdade apenas porque alguns números expressaram uma falsa verdade que o não dito transforna verdades (falsas).

Danilo C. da S. Santana






quinta-feira, 9 de junho de 2011


É a educação que garante a continuidade da vida social bem como sua renovação, ela é quem garante a construção de uma gama de conceitos que através do processo de comunicação se faz possível partilhar os significados gestados coletivamente (Dewey). Assim, se a linguagem media nossa relação com  e no mundo, nos jovens em especial é fácil perceber a “criação” ou resignificação desta e assim perceber como eles seguem fazendo, refazendo ou fortalecendo suas redes de relações. Dito isso, pergunto: podemos chamar a criação de uma linguagem juvenil de “Educação”?